L'itinérance

“Cinema: It is a ribbon of dreams.” (Orson Welles)

James Cagney (1899-1986)

James Cagney (1899-1986)

James Francis Cagney Jr. (1899-1986) foi um ator norte-americano, primeiramente no teatro e depois no cinema. Era um artista de vários gêneros, mas tornou-se célebre interpretando gângsters violentos e insanos. Recebeu três indicações ao prêmio Oscar de Melhor Ator, tendo vencido em uma delas.

James Cagney (1899-1986)

Written by Paulo Amadeu

01/11/2012 at 18:29

Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (Prêmio Honorário): 1948-1956

“Ladrões de Bicicleta” (Ladri di biciclette, 1948)

“Ladrões de Bicicleta” (Ladri di biciclette, 1948), por Vittorio De Sica, Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1950 

1. Vítimas da Tormenta (Sciuscià – Ragazzi, 1946) – Filme dirigido por Vittorio de Sica, considerado uma obra-prima do neorrealismo italiano. Em Roma, no difícil período pós-guerra, dois meninos engraxates trabalham para sobreviver e sustentar a família, e mesmo assim não deixam de sonhar. São também vítimas de confusões e de imensos sofrimentos, inclusive o pesadelo da reclusão em um “reformatório”, e acabam deixando sua infância para trás. Em 1948 o filme ganhou o Oscar Honorário de Melhor Filme Estrangeiro, e foi indicado na categoria Melhor Roteiro Original. 8,0 

2. São Vicente de Paulo; O Capelão das Galeras (Monsieur Vincent, 1947) – Filme francês dirigido por Maurice Cloche. Protagonizado por Pierre Fresnay, em bom desempenho, contando ainda com Aimé Clariond e Jean Debucourt. A história de São Vicente de Paulo (1581-1660), um dos protagonistas da Reforma Católica na França do século XVII. O filme cobre o período entre 1617 e 1660. A França da opulência era também a França da peste, da fome e da miséria, e Paris era um exemplo disso. Em 1949 ganhou o Oscar Honorário de Melhor Filme Estrangeiro. “Antes de pensar em salvar a alma deles, deve-se dar aos miseráveis uma vida pela qual fiquem sabendo que estão vivos”. 6,8 

3. Ladrões de Bicicleta (Ladri di biciclette, 1948) – Filme italiano dirigido por Vittorio De Sica. O filme se passa na Itália durante o período pós-guerra, sendo um dos exemplos do neorrealismo italiano. Foi um dos primeiros longas-metragens a vencer o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (1950), que na época ainda não era uma categoria própria. O elenco é protagonizado por Lamberto Maggiorani, e conta ainda com o menino Enzo Staiola. Um dos filmes mais premiados até então, com seu elenco formado por atores não profissionais. 8,4 

4. Três Dias de Amor (Au-delà des grilles / Le mura di Malapaga, 1949) – Filme franco-italiano dirigido por René Clément. A trilha sonora foi assinada por Roman Vlad e direção de fotografia por Louis Page. Estrelado por Jean Gabin e Isa Miranda. Um homem francês, foragido da polícia, aporta em Gênova, Itália, onde conhece uma mulher e sua filha adolescente. Em 1951 ganhou o Oscar Honorário de Melhor Filme Estrangeiro. “Como eu poderia julgá-lo? Eu não posso. Ti voglio bene!”. 6,8 

5. Rashomon (Rashômon, 1950) – Filme japonês escrito e dirigido por Akira Kurosawa, baseando-se em dois contos de Ryunosuke Akutagawa. Estrelando Toshirō Mifune, Machiko Kyō e Masayuki Mori. Considerado uma das obras primas de Kurosawa, conquistando notoriedade para o diretor. Tem uma estrutura narrativa não-convencional que sugere a impossibilidade de obter a verdade sobre um evento quando há conflitos de pontos de vista. Na Psicologia, o filme emprestou seu nome ao chamado "Efeito Rashomon". Ganhou o Oscar Honorário em 1952 e em 1953 foi indicado na categoria Melhor Direção de Arte. “É por serem fracos que os homens mentem, até mesmo para si próprios.” 8,4 

6. Jogos Proibidos (Jeux Interdits, 1952) – Filme francês, do gênero drama de guerra, dirigido por René Clément. Estrelando Georges Poujouly, Brigitte Fossey e Amédée. A história tem início em junho de 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, com os bombardeios alemães às caravanas que deixavam Paris. Numa guerra, as primeiras vítimas são a verdade e as crianças. O filme tornou amplamente conhecido o tema dedilhado por Narciso Yepes. Em 1953 ganhou o prêmio Oscar honorário de Melhor Filme Estrangeiro, e em 1955 foi indicado ao Oscar como Melhor Roteiro. “Elevou a uma singular pureza lírica a inocência da infância acima da desolação da guerra”. 7,9 

7. O Portal do Inferno (Jigokumon 1953) – Filme japonês dirigido por Teinosuke Kinugasa. Uma história bem construída, nos gêneros drama e história. Estrelando Machiko Kyô, Kazuo Hasegawa e Isao Yamagata. Alguns bons movimentos e enquadramentos de câmera. Após a Guerra de Heiji, em 1159, um samurai, que distinguiu-se e mereceu uma recompensa pela forma como atuou, pede ao imperador que lhe conceda a esposa de um outro samurai. Em 1956 ganhou o Oscar Honorário de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Figurino. “Como eu pude acreditar que poderia conquistar seu coração à força?”. 7,2 

8. Samurai (I) (Miyamoto Musashi I, 1954) – Filme japonês dirigido por Hiroshi Inagaki, e o primeiro da conhecida trilogia Samurai. Adaptação do romance Musashi, de Eiji Yoshikawa, vagamente baseado na vida do famoso Miyamoto Musashi (c. 1584-1645). Estrelando Toshirō Mifune, Rentarô Mikuni, Kuroemon Onoe, Kaoru Yachigusa e Mariko Okada. No início do século XVII, após uma batalha pela supremacia do Japão feudal, dá-se a trajetória de amadurecimento de um samurai, inclusive a grande decisão envolvendo a mulher que amou. Em 1956 ganhou o Oscar Honorário de Melhor Filme Estrangeiro. “A vida é uma autêntica batalha. E não há como voltar atrás”. 7,5 

O Oscar de Melhor Filme Estrangeiro é entregue anualmente pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos para um longa metragem produzido fora dos EUA com diálogos predominantemente em uma língua diferente do inglês. Diferentemente dos outros Oscars, este prêmio não é entregue a um indivíduo específico. Ele é aceito pelo diretor do filme vencedor, porém considerado um prêmio para todo o país. Entre 1948 e 1956, a Academia presenteou Prêmios Especiais/Honorários para os melhores filmes estrangeiros lançados nos Estados Unidos. A premiação, entretanto, não foi entregue regularmente (nenhum prêmio foi entregue em 1954), e não era competitiva, pois não havia outros indicados além do vencedor do ano. Para a edição do Oscar de 1957, um Prêmio da Academia ao Mérito, conhecido oficialmente como Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira, foi criado para filmes que não eram falados em inglês, sendo entregue anualmente desde então.

Written by Paulo Amadeu

01/11/2012 at 11:14

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Filme: A Carta (The Letter, 1940)

“A Carta” (The Letter, 1940)

Bette Davis e Herbert Marshall em “A Carta” (The Letter, 1940)

Assisti recentemente ao filme A Carta (The Letter, 1940). Nos gêneros drama e suspense, trata-se de um bom noir conduzido por William Wyler. O roteiro é baseado em uma peça homônima de W. Somerset Maugham, autor dos clássicos Servidão Humana, O Fio da Navalha e O Véu Pintado. Publicado por Maugham em 1927, A Carta já recebera uma versão para o cinema em 1929.

A história se passa em uma plantação de borracha na colônia britânica da Malásia. Em uma cena chocante e memorável, numa noite de lua cheia, uma esposa carinhosa e aparentemente fiel e honrada, mata um homem à sua porta, disparando contra ele vários tiros. Ela alega ter sido em legítima defesa, e tudo parece resultar esclarecido. Mas o aparecimento de uma misteriosa carta agita o enredo. Esta carta será apresentada em tribunal durante o julgamento do caso.

Envolvendo-nos com boa fotografia e com a trilha sonora de Max Steiner, o filme de Wyler nos introduz no contexto dramático de um relacionamento extraconjugal. Em um momento do enredo, alguém verbaliza a exclamação: “É estranho um homem viver com uma mulher durante dez anos e não saber nada sobre ela”. Pode parecer “estranho”, mas não é tão incomum assim quanto possa parecer a alguns. Encarnada em cena com o brilhantismo de Bette Davis, a obra de Maugham apenas ressalta in extremis tal realidade. Em Psicanálise sabe-se bem que pouca coisa é ao mesmo tempo tão desejável e rejeitada quanto relacionar-se com alguém que nos conhece. Em geral, os nossos relacionamentos são com pessoas que não nos conhecem pelo que somos, mas pelo que fazemos, e que nos desejam não necessariamente porque nos conhecem, mas sim porque nos julgam úteis. Diante de tais pessoas, é natural procurarmos esconder aquilo que sabemos que poderia macular a imagem que queremos que tenham de nós.

Entre os bons dramas conduzidos por Wyler com grande densidade psicológica, A Carta é um que não deve passar ignorado. A produção foi indicada ao Oscar em sete categorias, entre as quais se incluem as de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz (Bette Davis) e Melhor Trilha Sonora Original (Max Steiner).

Written by Paulo Amadeu

01/11/2012 at 9:09

Filme: Colcha de Retalhos (How to Make an American Quilt)

How to Make an American Quilt, movie

A tradição das colchas de patchwork é algo muito bonito na cultura norte-americana. Trata-se de uma arte comovente, que exige sensibilidade e esmero. As técnicas da arte de quiltar têm sido transmitidas pelas mães e avós às suas descendentes. No período da Grande Depressão, após a quebra da Bolsa de Valores, isto é, entre 1929 e 1939, as quilteiras aproveitavam todo e qualquer tecido disponível, usando formatos que permitiam aproveitamento total dos tecidos.

Um filme que gosto bastante é Colcha de Retalhos (How to Make an American Quilt). Um filme de boa sensibilidade e que retrata tão bem a alma humana, confusa, complexa e nada fixa.

Enquanto elabora sua tese e se prepara para se casar, Finn Dodd (Wynona Ryder), uma jovem mulher, vai morar na casa da sua avó materna (Ellen Burstyn). Ela decide passar esse tempo na casa de sua avó para, assim, poder refletir sobre seus sentimentos. Na casa da avó Finn revive uma experiência já muito conhecida, desde a infância. Lá estão várias amigas da família, que preparam uma elaborada colcha de retalhos como presente de casamento. É tradição por lá que as mulheres teçam colchas de retalho como presente de casamento. E enquanto elas se dedicam a atividade, relembram antigas histórias de relacionamentos amorosos. Neste meio tempo Finn se sente atraída por um desconhecido, criando dúvidas no seu coração que precisam ser esclarecidas.

How to Make an American Quilt, movieTendo as mulheres decidido pela colcha de retalhos como presente de casamento, cada uma, então, se incumbe de bordar seus retalhos para, no final, juntarem as peças e comporem a colcha. O interessante é que não são retalhos quaisquer, mas quadrados que ilustram a história amorosa de cada uma. A colcha tecida tem como tema “Onde mora o amor?”. As figuras ou desenhos representam a mulher que os compôs. A jovem, provavelmente movida pelo momento conflituoso por que passa, acaba conversando com cada uma delas, onde tem a oportunidade de ouvir relatos vivos sobre essas experiências. Assim, enquanto o trabalho é feito, Finn ouve o relato de paixões e envolvimentos, nem sempre moralmente aprováveis mas repletos de sentimentos, que estas mulheres tiveram. Passamos a conhecer os vários “retalhos” de amor, com a sua beleza, tristeza, decepções e esperanças… Enfim, as versões femininas sobre seus homens e a relação com eles.

How to Make an American Quilt, movie How to Make an American Quilt é um filme feminino, onde os homens são tema frequente, mas ocupam um papel coadjuvante. A colcha completa, que vai cobrir aquela jovem e seu futuro marido, reúne todas as histórias de amor e representa a feminilidade daquelas mulheres. Trata-se de um drama romântico sobre o universo feminino, e nos envolve com a vida das costureiras e seus mundos interiores. Cada retalho que compõe a colcha traz uma simbologia. O jardim de rosas amarelas, simbolizando o cenário de um grande amor. O retalho de Sophia Darling é o mesmo do seu vestido que usara no seu primeiro encontro de amor, representando ondas. A esposa traída confecciona em seu retalho os objetos de pintura representando o seu amor, e assim por diante.

O filme é muito bem “tecido”, permitam-me o verbo. É tecido como uma alegoria – a alegoria da colcha de retalhos. No início do filme pode-se observar uma cena que foca o desenrolar de um carretel de linha, fazendo uma comparação entre este procedimento e a vida do ser humano. E o que acontece naqueles diálogos de Finn com aquelas mulheres mais velhas é exatamente isso. Outros símbolos aparecem no filme: a cor vermelha, um poema, os morangos, um corvo… Num ponto clímax, um forte vendaval inrompe como uma metáfora das ideias da moça, e do conturbado momento no drama. A cabeça da jovem noiva está confusa principalmente depois da conversa com sua mãe. Finn entra em conflito não sabendo ao certo se realmente quer se casar, pois em toda a sua vida ouviu de sua mãe que o casamento era uma grande bobagem, e que compromissos monogâmicos para toda a vida eram impossíveis de se cumprir. Depois do vendaval tudo ficou mais claro para a noiva, e também para as outras mulheres. Colcha de Retalhos é uma alegoria primorosa, rica em detalhes e sutilezas, que você não deve deixar de assistir.

How to Make an American Quilt foi lançado em 1995 nos Estados Unidos. Conta com a excelente direção de Jocelyn Moorhouse, e bons desempenhos de Wynona Ryder, Anne Bancroft, Ellen Burstyn, Kate Nelligan, Alfre Woodard, entre outros. Dedique alguma atenção à trilha sonora organizada por Thomas Newman. Em alguns momentos as músicas escolhidas para o fundo vestem como uma luva; melhor dizendo, encaixam-se na trama como retalhos meticulosamente escolhidos para compor toda a harmonia da colcha das quilteiras.

Written by Paulo Amadeu

29/10/2012 at 12:56

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Dez Filmes (59)

Publico mais uma lista de dez (10) filmes a que tenho assistido — em alguns casos, mais de uma vez. Assim como nas listas anteriores, procurei incluir vários gêneros, épocas e avaliações. Os links remetem para um site especializado em cinema.

The Artist, 2011, movie

Jean Dujardin e Bérénice Bejo em “O Artista” (The Artist, 2011)

1. O Artista (The Artist, 2011) – Excelente filme dirigido por Michel Hazanavicius, protagonizado por Jean Dujardin e Bérénice Bejo. Um louvor à sétima arte, trata-se de mais um roteiro que trabalha a transição do cinema mudo para o falado; porém, desta feita, com o imenso diferencial de tratar-se de um filme mudo. A história tem início em 1927, passando pela Quebra da Bolsa, e termina com o início dos grandes musicais. Na edição do Oscar de 2012 o filme foi indicado em 10 (dez) categorias, vencendo em cinco, entre as quais Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator (Jean Dujardin) e Melhor Trilha Sonora Original (Ludovic Bource). Entre as indicações, a de Melhor Roteiro Original. “O público quer carne fresca”. rate08_thumb_thumb

2. Histórias Cruzadas (The Help, 2011) – Roteiro adaptado com base no romance homônimo de Kathryn Stockett. Com direção de Tate Taylor, estrelando Emma Stone, Viola Davis e Octavia Spencer. Ambientado em Jackson, Missississipi, na década de 1960, durante a era americana dos “Direitos Civis”. O filme é narrado do ponto de vista de uma sofrida senhora negra, empregada doméstica, que, desde os seus quatorze anos, criou muitas crianças brancas. A história aponta para uma sociedade religiosa, vertical, estratificada e preconceituosa, com papéis bem definidos. Em 2012 ganhou um prêmio Oscar e recebeu outras quatro indicações, inclusive as de Melhor Filme e Melhor Atriz (Viola Davis). “Coma a minha merda”. 8,1

3. A Invenção de Hugo Cabret (Hugo, 2011) – Roteiro adaptado no homônimo livro infanto-juvenil de Brian Selznick, publicado em 2007. Dirigido por Martin Scorsese, estrelando Asa Butterfield, Chloë Grace Moretz e Christopher Lee. Recorrendo a um apurado e comovente “mecanicismo poético”, a ficção se remonta às origens do cinema, às primeiras imagens animadas. A história traz Georges Méliès (1861- 1938), considerado o "pai dos efeitos especiais, e o curta francês Le Voyage dans la lune, de 1902. Em 2012 recebeu 11 (onze) indicações ao Oscar, tendo vencido em cinco delas. Entre as outras indicações, as de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Trilha Sonora (Howard Shore) e Melhor Roteiro Adaptado. 7,7

4. Jezebel (Jezebel, 1938) – Produzido e dirigido por William Wyler, estrelando Bette Davis, Henry Fonda, Donald Crisp e George Brent. O roteiro baseou-se numa peça de Owen Davis. Trata-se de um drama ambientado na cidade de Nova Orleans no século XIX, na época em que a região era dominada pela aristocracia rural sulista algodoeira, e assolada por surtos de febre amarela. A boa trilha sonora foi assinada por Max Steiner. Na edição do Oscar de 1939 foi indicado em cinco categorias, vencendo em duas: Melhor Atriz (Bette Davis) e Melhor Atriz Coadjuvante (Fay Bainter). As demais indicações foram Melhor Filme, Melhor Fotografia e Melhor Trilha Sonora (Max Steiner). 7,6

5. Os Descendentes (The Descendants, 2011) – Roteiro adaptado, com direção de Alexander Payne, estrelando George Clooney, Shailene Woodley e Amara Miller. Quando o Havaí não é apenas um paraíso. O drama promove uma imersão inteligente na realidade e tem vários momentos bem humorados. A trilha sonora recorre a bons acústicos havaianos, e a fotografia explora bem os recursos da região. Em 2012 foi indicado ao Oscar em cinco categorias, vencendo como Melhor Roteiro Adaptado. Entre as demais indicações, as de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator (George Clooney). “Dê a seus filhos dinheiro para fazerem algo, mas não o bastante para não fazerem nada”. 7,5

6. Há Tanto Tempo que Te Amo (Il y a longtemps que je t’aime, 2008) – Filme francês escrito e dirigido por Philippe Claudel, estrelando Kristin Scott Thomas e Elsa Zylberstein, duas ótimas atrizes, assim como Serge Hazanavicius. Muito boa atuação de Kristin Scott Thomas. Trata-se de um filme de muita densidade humana, envolvendo medos, sofrimentos, incertezas e durezas. O roteiro bem construído resultou em um drama familiar com alma e coração. Bem premiado em festivais de cinema, foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro em 2009. 7,5

7. Os Cowboys (The Cowboys, 1972) – Roteiro adaptado, com direção de Mark Rydell, estrelando John Wayne, Roscoe Lee Browne e Bruce Dern. Nunca o substantivo cow-boy foi tão literal. Um vaqueiro contrata um grupo de onze garotos para ajudá-lo a levar seu gado em uma jornada que irá mudar a vida de todos. Neste celebrado western John Wayne pôde demonstrar todo o seu talento em uma grande performance. Boa trilha sonora de John Williams. “Se seu nariz empinar mais, você não conseguirá se curvar para calçar as próprias botas”. 7,2

8. Marcelino Pão e Vinho (Marcelino pan y vino, 1955) – Filme espanhol, com direção de Ladislao Vajda, estrelando Rafael Rivelles, Antonio Vico, Juan Calvo e Pablito Calvo. O roteiro adaptado baseia-se no famoso livro homônimo escrito por José María Sánchez. Conta a história em que, na Espanha, um órfão é encontrado na porta de um mosteiro, sendo então criado por doze frades franciscanos. Aplaudido no festiva de Cannes e Berlim. “Uns morrem, e outros nascem. O que morreu, se sabe se foi um homem bom. Mas, quanto ao que nasce, o que poderemos saber?” 7,0

9. Preto e Branco em Cores (Noirs et blancs en couleur, 1976) – Filme francês dirigido por Jean-Jacques Annaud, estrelando Jean Carmet, Catherine Rouvel e Jacques Spiesser. O roteiro da comédia é situado em 1915, na África Equatoria Francesa, onde os rumos da Primeira Grande Guerra têm seu impacto nas relações entre franceses e alemães locais, e os africanos são “convidados” a se envolver. Os jogos de interesse se manifesfam. Uma leitura bem humorada do colonianismo na África. Filmado inteiramente na Costa do Marfim. Em 1977 ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. “Um francês nunca se rende se pode existir alternativa”. 6,9

10. Albert Nobbs (Albert Nobbs, 2011) – Drama produzido pela Irlanda e Reino Unido, dirigido por Rodrigo García e protagonizado por Glenn Close. Estrelando ainda Mia Wasikowska e Aaron Taylor-Johnson. Roteiro baseado num conto do romancista irlandês George Moore. Uma mulher vive como um homem e alimenta um sonho, trabalhando em hotel na conservadora sociedade irlandesa do século XIX. Bons desempenhos de Glenn Close e Janet McTeer. Glenn Close já havia interpretado o personagem principal numa produção de teatro em 1982. Em 2012 foi indicado ao Oscar em três categorias, incluindo a de Melhor Atriz (Glenn Close). “Que homenzinho gentil!” 6,6

Confira também as listas anteriores de dez (10) filmes: 58, 57, 56, 55, 54… Não constam destas listas aqueles filmes sobre os quais já tenhamos publicado algum post. No canal Youtube talvez você encontre vídeos para alguns destes filmes, com cenas selecionadas e trailers. Consulte as Listas de Reprodução.

Written by Paulo Amadeu

18/10/2012 at 19:03

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Filme: Um Método Perigoso (A Dangerous Method, 2011)

(Atenção: spoiler)

A Dangerous Method, 2011, movie

Keira Knightley (Sabina Spielrein) e Michael Fassbender (Carl Jung) em “Um Método Perigoso” (A Dangerous Method, 2011)

Um Método Perigoso (A Dangerous Method, 2011) é um filme histórico, britânico, em consórcio que envolve também empresas alemãs, canadenses e suíças. O drama biográfico é dirigido pelo cineasta canadense David Cronenberg, conhecido por trabalhos como A Mosca (1986), Gêmeos; Mórbida Semelhança (1988), Crash; Estranhos Prazeres (1996) e Marcas da Violência (2005). O filme estreou em 2 de setembro de 2011 no Festival de Cinema de Veneza, recebendo destaque também em outros festivais posteriores.

Um Método Perigoso trata-se de um roteiro do premiado Christopher Hampton, ganhador do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado com Ligações Perigosas (1988) e que foi também indicado ao mesmo prêmio com Desejo e Reparação (2007). Hampton recorreu a uma peça de sua autoria, The Talking Cure (2002), que por sua vez se baseia no livro A Most Dangerous Method, de autoria de John Kerr, publicado em 1993. A partir da peça de Hampton, David Cronenberg arquitetou um filme admirável sobre as origens da Psicanálise.

O roteiro de Um Método Perigoso envolve cinco personagens, sendo os principais Carl Gustav Jung (1875-1961), o conhecido psiquiatra suíço fundador da Psicologia Analítica,  e Sabina Naftulovna Spielrein (1885-1942), judia russa que se tornou uma das primeiras psicanalistas, e que, inclusive, foi analista de Jean Piaget (1896-1980), renomado psicólogo suíço que dedicou-se ao estudo do desenvolvimento humano. Além de Jung e Spielrein, compõem o núcleo principal do filme: Sigmund Freud (1856-1939), fundador da Psicanálise, A Dangerous Method, 2011, movieEmma Rauschenbach Jung (1882-1955), escritora e também psicanalista, esposa de Jung, e Otto Gross (1877-1920), psicanalista austríaco, um dos primeiros discípulos dissidentes de Freud. Com várias ideias bastante revolucionárias, Gross propunha uma forma primitiva de antipsiquiatria e liberação sexual, e desenvolveu uma forma anarquista da chamada psicologia profunda (em alemão Tiefenpsychologie), em que rejeitava a necessidade civilizatória da repressão psicológica tal como a defendia Freud.

Boa parte da história de Um Método Perigoso recebeu anteriormente uma versão cinematográfica com Jornada da Alma (Prendimi L´Anima, 2003), através da lente do cineasta italiano Roberto Faenza. A história se passa antes da Primeira Guerra Mundial, mais precisamente num período de nove anos, a saber, entre 1904 e 1913. O foco é o tratamento terapêutico de Sabina Spielrein por Jung, que, na época, começava a utilizar a Psicanálise e era discípulo de Freud — este mantinha com Jung uma relação como a de pai e filho, tendo a expectativa de que o pupilo viesse a sucedê-lo. Naquele período a Psicanálise procurava a sua identidade científica e também o seu lugar social. O roteiro recorre amplamente às correspondências trocadas por Jung e Freud e ao próprio diário de Sabina Spielrein.

Proposital e característicamente, a maior parte do filme transcorre por meio de diálogos, a maioria deles em ambientes privativos, incluindo alguns em setting de análise. Os diálogos intensos envolvem todos os cinco personagens: Jung e Sabina, Jung e Freud, Jung e Emma, Jung e Gross (em que tratam de questões intensas na relação transferencial-contratransferencial, inclusive as fantasias sexuais na relação entre analista e paciente), Freud e Sabina, e, finalmente, Sabina e Emma.

A história é contada em cinco momentos:

A Dangerous Method, 2011, movieO primeiro momento tem início em 17 de agosto de 1904, com a chegada de Sabina Spielrein ao Hospital Psiquiátrico Burghölzli em Zurique, Suíça, onde Jung clinicava. A bonita jovem de dezenove anos, sofrendo muito, chega mergulhada num quadro emocionalmente caótico e deplorável, conduzida em um carro no qual é trazida à força. Sabina se torna paciente de Jung, passa pelos primeiros tratamentos, até tornar-se auxiliar do psiquiatra na clínica. Depois ingressa na universidade de Medicina.

Jung, depois de haver conhecido Emma por sete anos, casou-se com ela no ano anterior à chegada de Sabina em Zurique. O casal estava estabelecendo as bases de sua família. De família aristocrática e rica, Emma teve durante este período os primeiros de seus cinco filhos com Jung. Sentindo o crescente distanciamento do cônjuge, Emma nutria a esperança de que os filhos trouxessem de volta o brilho conjugal e o amor de seu marido.

“— Eu nunca serei uma médica!”
— Por quê não?”

O segundo momento tem início dois anos depois, em 3 de março de 1906, com a chegada de Jung e Emma em Viena, Áustria, quando conhecem Freud pessoalmente. Ali, Jung e Freud privam de um momento rico e de grande intimidade. Uma das sessões entre os dois durou treze horas. Um destaque desse segundo momento foi a chegada de Otto Gross a Zurique, a fim de passar por um tratamento com Jung. Dá-se, finalmente, a fuga de Gross da clínica, após exercer grande influência sobre Jung. Sob este impacto tem início a relação extraconjugal de Jung com Sabina. Outros destaques do período são a presença de Freud em Zurique, a correspondência entre Sabina e Freud, e o processo doloroso que impôs o fim do envolvimento amoroso entre Sabina e Jung, e a saída deste do hospital. Também a viagem de Freud e Jung aos Estados Unidos é marcante neste período; foi durante o trajeto de navio que a autoridade de Freud sobre Jung sofreu um significativo momento de desgaste.

“O prazer nunca é simples, como você sabe muito bem”.

O terceiro momento tem início em 25 de setembro de 1910, com a visita de Sabina ao novo local de trabalho de Jung. Após deixar o hospital, Jung enfrentara grandes dificuldades para encontrar novos pacientes, mas agora já estava com a agenda cheia novamente. Sabina trouxe a Jung a sua dissertação de conclusão de curso, na qual trabalharam juntos. Ambos continuavam envolvidos em evidentes afetos. Tendo Jung como mentor na dissertação, Sabina expõe algumas de suas primeiras conclusões teóricas mais significativas.

“As pessoas são assim. Se não lhes dissermos a verdade, quem o fará?”

A Dangerous Method, 2011, movie

O quarto momento se dá a partir de 17 de abril de 1912, em Viena, com Sabina diante de Freud, quando ela expõe algumas de suas conclusões acerca da sexualidade. Sabina graduara-se no ano anterior, quando também foi aceita como membro da Sociedade de Psicanálise de Viena. É neste período que as teorias freudianas e jungianas se estabelecem em distintos streams. Jung já declara suas convicções acerca dos mitos e dos arquétipos, e fica patente o desapontamento de Freud com seu antigo pupilo. Porém, na correspondência entre ambos, o método de Jung vai revelando sua maturidade e o relacionamento entre eles sofre formalmente uma ruptura.

“Suponho que deve haver um vínculo inquebrantável entre a morte e o sexo”.

O quinto e último momento tem como marco a data de 16 de julho de 1913. Às vésperas da Primeira Grande Guerra, Sabina, agora casada e grávida de um médico judeu russo, visita a residência da família Jung. Embora já houvessem se visto anteriormente, ela e Emma se conhecem formalmente e têm um diálogo sereno e afirmativo. Sabina também conhece os filhos de Jung. Emma pede a ajuda de Sabina, a fim de que seja analista de seu marido que atravessa momentos difíceis, mas esta informa sua decisão de dedicar-se à psicologia infantil. Sabina e Jung têm um sincero diálogo. Ele já estava envolvido com Antonia Anna "Toni" Wolff (1888-1953), uma jovem paciente, que tornou-se também analista jungiana. O momento final é emblemático. Num sentido oposto ao da primeira cena do filme, um carro sai da residência Jung, e nele está Sabina. Embora ainda sofrendo, a mesma mulher apresenta-se agora saudável, e seguirá posteriormente para a Rússia. Deixa para trás um psiquiatra maduro e circunspecto.

“Meu amor por ti foi o mais importante em minha vida”.

O filme é estrelado por Michael Fassbender (Carl Jung), Keira Knightley (Sabina Spielrein), Viggo Mortensen (Sigmund Freud), Sarah Gadon (Emma Jung) A Dangerous Method, 2011, moviee Vincent Cassel (Otto Gross). Christoph Waltz foi inicialmente escalado como Sigmund Freud, mas foi substituído por Viggo Mortensen devido a um conflito de agendas. Christian Bale esteve em negociações para interpretar Carl Jung, mas também precisou declinar pelo mesmo motivo. As filmagens começaram em 26 de maio e terminaram em 24 de julho de 2010, recorrendo a lugares e instalações em Viena, Zurique, Konstanz, Colônia e Berlim. O filme marca a terceira parceria consecutiva entre Cronenberg e Viggo Mortensen, e também o terceiro trabalho de Cronenberg com o produtor britânico Jeremy Thomas. A direção de fotografia é de Peter Suschitzky e a trilha sonora é assinada por Howard Shore. Este recorreu a algumas peças em piano, a fim de oferecer alguns transcursos plácidos de cena, e trabalhou com habilidade as transições. Um destaque durante o filme é A Valquíria (Die Walküre), a conhecida composição do alemão Richard Wagner, ópera preferida de Carl Jung e Sabina Spielrein. 

Em resenha publicada no último domingo — que cometo, abaixo, o sacrilégio de abrasileirar —, escreve João Lopes sobre a película de noventa e nove minutos:

David Cronenberg filma a relação Freud/Jung, não apenas como uma simples conjuntura de pensamento e pesquisa, mas também como uma paisagem de interrogações e perplexidades que transforma o nascimento da psicanálise num enorme desafio simbólico (…).

"Um Método Perigoso" é a prova real da dimensão singularmente intimista do cinema de Cronenberg, afinal desafiando as fronteiras convencionais do próprio fator humano. E tudo passa, em última instância, pela vibração dos atores: Viggo Mortensen compondo um Freud de sutil autoridade paterna; Michael Fassbender no papel de um Jung assombrado pela sua própria ousadia; enfim, Keira Knightley emprestando a Sabina a comoção de uma mulher capaz de superar os padrões masculinos (já vimos Oscars atribuídos por infinitamente menos…). Cf. aqui.

Written by Paulo Amadeu

16/10/2012 at 9:17

Paul Newman (1925-2008)

Paul Newman (1925-2008)

Paul Leonard Newman (1925-2008) foi um ator, dublador e diretor cinematográfico norte-americano. Estudou dramaturgia desde jovem. De longa carreira, ganhou grande destaque na década de 1960. Dez vezes indicado ao Oscar, ganhou o prêmio em uma delas, e mais dois prêmios especiais, incluindo um Oscar honorário.

Paul Newman (1925-2008)

Written by Paulo Amadeu

26/01/2012 at 20:19

Publicado em Atores, Grandes Ícones do Cinema

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Georges Delerue (1925-1992)

Georges Delerue (1925-1992) foi um compositor francês. Surgiu no cenário musical cinematográfico como parte da Nouvelle Vague, tornando-se um dos melhores compositores românticos da sétima arte. Um dos mais respeitados e prolíficos do cinema europeu: aproximadamente 200 longas-metragens, 125 curtas, 70 telefilmes e 35 séries televisivas. Cinco indicações ao Oscar, vencendo em uma delas.

Georges Delerue (1925-1992)

Ouça a suíte tema para Un Homme Amoureux (1987). Não deixe de ouvir também Le Concerto De L’Adieu, tema para o filme Diên Biên Phú (1992).

Written by Paulo Amadeu

24/01/2012 at 22:15

François Truffaut (1932-1984)

François Truffaut (1932-1984)

François Roland Truffaut (1932-1984) foi um cineasta, produtor, roteirista e ator francês. Um dos fundadores do movimento cinematográfico conhecido como Nouvelle Vague.  Dirigiu vinte e seis filmes, tendo como temas principais de sua obra as mulheres, a paixão e a infância. Seu estilo influenciou vários outros cineastas.

François Truffaut (1932-1984)

Written by Paulo Amadeu

21/01/2012 at 12:15

Victor Young (1900-1956)

Victor Young (1900-1956) foi um compositor, arranjador, violinista e maestro norte-americano. Músico notável desde a infância, teve amplo contato com a música européia. Mudando-se para Hollywood, dedicou-se a compor para o cinema, com trilhas e canções eternizadas. Recebeu vinte e duas indicações ao Oscar, tendo sido vitorioso uma vez (o prêmio foi conferido no ano seguinte ao de seu falecimento).

Victor Young (1900-1956)

Ouça algumas seleções de Shane (1953), para Os brutos Também Amam (Shane, 1953). Dentre as conhecidas canções compostas por Young estão When I Fall in Love, Around the World e My Foolish Heart.

Written by Paulo Amadeu

19/01/2012 at 11:12