L'itinérance

“Cinema: It is a ribbon of dreams.” (Orson Welles)

Filme: A Liberdade é Azul (Trois Couleurs: Bleu)

A Liberdade é Azul Recomeçar, depois de alguma grande perda ou de um trauma, pode ser extremamente difícil! Uma batalha renhida, e por vezes muito solitária. Existencialmente solitária. Necessariamente solitária. E o recomeço deve implicar num encontro com a verdade. Não há grandes recomeços sem um encontro com a verdade. A verdade sobre si mesmo. Um encontro consigo mesmo – como diante de um espelho. Um encontro solitário e libertador, tingido de azul.

A Liberdade é Azul A Liberdade é Azul (Trois Couleurs: Bleu, França, 1993), 1 hora e 37 minutos de duração, é a primeira parte da monumental Trilogia das Cores, do mestre polonês Krzysztof Kieslowski, que tem como tema as cores e os lemas nacionais da França: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Julie (a bela Juliette Binoche de O Paciente Inglês) perde o marido (famoso compositor) e a filha pequena em um acidente de carro. Tenta se matar mas não consegue pois se acha fraca para fazer isso. Fica só. E ser livre é, muitas vezes, difícil. Um flautista de rua lhe diz que é preciso se agarrar a algo, mas ela já não quer mais nada pois bens, recordações, amigos, vínculos, são tudo armadilha. Gostaria mesmo é de pular no espaço, no céu azul, mas no fundo sabe que não se pode renunciar a tudo.

Kieslowski transforma dor em sublimação. Bleu é um filme silencioso, mas todos os sentimentos são para qualquer um tocar. A fotografia é primorosa e a trilha sonora, do inseparável Zbigniew Preisner, sinfônica e imponente.

Krzystof Kieslowski, cineasta polonês, fez ao total 23 filmes, dentre os quais se destacam Amator (1979)que conta a história de um cineasta abandonado pela mulher – e o Decálogo (1988 – feito para tv), dividido em dez partes contando cada uma, um mandamento bíblico. Mas sua obra-prima ainda estava por vir. Morando em Paris e desiludido com a política, Krzystof resolveu filmar as dores do mundo. A Trilogia das Cores, inspirada nas cores da bandeira francesa, e em seus significados, é um dos momentos mais poéticos do cinema naquela década.

Se puder, leia uma resenha para este filme, em inglês, acessando aqui.

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Written by Paulo Amadeu

10/12/2009 às 4:20

Publicado em Close-up

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