L'itinérance

“Cinema: It is a ribbon of dreams.” (Orson Welles)

Filme: Caminhando nas Nuvens

A Walk in the Clouds Victoria Aragón (Aitana Sánchez-Gijón) & Paul Sutton (Keanu Reeves), A Walk in the Clouds, 1995

A primeira vez que assisti Caminhando nas Nuvens (A Walk in the Clouds) foi numa chuvosa e melancólica manhã de domingo, no Guarujá, litoral de São Paulo. Gostei bastante. O filme é tocante em diversos momentos, com uma bonita fotografia e alguns quadros que transpiram humanidade. Além disso, é sempre bom assistir a algum filme no gênero que você mais aprecia. Nós, pobres mortais, que não temos sobre os nossos ombros o peso dos críticos de cinema, nem estamos no quadro dos jurados do Oscar, podemos simplesmente nos dar ao requinte de gostar dos filmes que gostamos. Essa é uma vantagem dos cinéfilos “amadores”, digamos assim. A gente pode simplesmente sorver aquilo que gosta, sem aquele olhar judicioso do crítico. Foi com essa leveza e desprensão que assisti, pela primeira vez, A Walk in the Clouds. O filme me chegou sem grandes filtros.

Ontem, porém, me dei ao luxo de uma reprise. À primeira vez assisti na tela do meu laptop, com o áudio original em inglês, e as legendas em português. Ontem, entretanto, assisti numa tela maior. Pude, então, desfrutar melhor da Trilha Sonora, e captar sutilezas perdidas na primeira sessão, bem como atentar para detalhes de cena que a tela menor não me favorecia. A Trilha Sonora é muito boa!

Depois de quatro anos nos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial, e ainda relembrando os horrores de guerra, Paul Sutton (Keanu Reeves) ao retornar para casa, quer se estabelecer e começar uma fazenda, mas Betty (Debra Messing), sua esposa, com quem impulsivamente se casou três dias após se conhecerem (no dia seguinte ele rumava para o front), quer que ele venda chocolates e até já arrumou um emprego para Paul. Enquanto faz uma viagem de negócios, ele conhece uma hispano-americana, Victoria Aragón (Aitana Sánchez-Gijón), uma bela mulher que na faculdade se apaixonou por um professor que a engravidou, mas não quis se casar com ela. Ela volta para casa totalmente envergonhada e, temerosa da reação do seu pai, Alberto (Giancarlo Giannini).

Surge uma idéia: Paul se fará passar como o marido de Victoria, e partirá após um dia ou dois. Assim, quando Victoria ficar só com a criança, o responsável será o “marido” e não a jovem “esposa”. Ela concorda e os dois, agora no formato de um casal, chegam ao vinhedo Las Nubes, que é de propriedade da família dela. A maioria da família Aragón recebe Paul afetuosamente, especialmente o avô, Don Pedro (Anthony Quinn), o patriarca, mas o ciumento e sanguíneo pai dela sente que há algo errado com o jovem casal e trata Paul grosseiramente. Paul e Victoria contornam várias situações e, durante a celebração da colheita, descobrem que estão fortemente apaixonados. A saída para o impasse será à moda dos roteiros de Hollywood, muito distante daquele realismo incômodo que temos nas tragédias e dramas clássicos. Isto simplifica o desenlace por demais, mas fará a alegria de todos os românticos de plantão.

O filme, lançado em 1995, 102 minutos, tem a brilhante direção de Afonso Arau. O veterano Anthony Quinn traz toda uma luz própria, e a atriz hispano-italiana Aitana Sánchez-Gijón consegue trazer consigo uma expressiva linguagem, inclusive no olhar. A interpretação do incipiente Keanu Reeves é mediana – mas se você for mulher haverá uma grande chance de que pense diferente.

A Walk in the Clouds é definitivamente um filme envolvente, do começo ao fim. Os homens são masculinamente fortes, e as mulheres femininamente fortes. O figurino é muito apropriado, e as tradições hispano-mexicanas não são retratadas daquela forma rasteira e estereotipada, como é bastante comum acontecer em Hollywood. Para quem gosta de vinho… Ou de vinícolas… Ou de vinhedos… Ou simplesmente de uvas… Ou de tudo isso junto, o filme é um banquete. Eu gostei.

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Written by Paulo Amadeu

06/03/2010 às 15:01

Publicado em Close-up

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