L'itinérance

“Cinema: It is a ribbon of dreams.” (Orson Welles)

Filme: A natureza quase humana (Human Nature)

Human Nature movie

O filósofo e sociólogo norte-americano George Mead (1863-1931), em sua teoria sobre a formação do Self, diz, em resumo, que sem o contato com o outro não pode haver o desenvolvimento do Self. Este, segundo Mead, tem uma fundamentação social. Roma jamais teria sido fundada por Rômulo e Remo, e Tarzan e Mogli jamais seriam o que “foram” se tivessem tido contato apenas com os animais da floresta.

Ontem assisti ao filme A natureza quase humana (Human Nature). Este é interessante para uma introdução a alguns embates atuais em Psicologia. O diretor francês Michel Gondry definiu o seu primeiro longa-metragem da seguinte maneira: “Uma comédia sobre como, frequentemente, é errado ser você mesmo. Sobre o que fazemos para nos tornar agradáveis aos olhos dos outros".  A obra foi escrita por Charlie Kaufman, o mesmo roteirista de Quero ser John Malkovich, dirigido por Spike Jonze, em 1999, entre outros filmes. Jonze, aliás, foi o responsável por apresentar Gondry ao escritor, antes mesmo de Malkovich ter sido concluído. Kaufman é também roteirista do filme Confissões de uma mente perigosa dirigido e estrelado por George Clooney.

A natureza quase humana é uma sátira que brinca com os conceitos do "homem selvagem" e da "sociedade civilizada". Puff (Rhys Ifans) nasceu e cresceu entre animais, desconhecendo qualquer forma de civilização. Descoberto pelo Dr. Nathan Bronfman (Tim Robbins), ele é levado a um laboratório para ser estudado. Lá Nathan tenta domesticá-lo e, em especial, conter sua excitação sexual. Lila Jute (Patricia Arquette), a esposa de Nathan, tenta proteger o lado simples de Puff. Só que ela tem um problema hormonal que faz com que seu corpo seja coberto de pêlos, o que atrai a atenção de seu protegido. A vida desses três se cruzará em uma história bizarra. O filme todo é marcado por alguns flashbacks nas vidas dos três protagonistas. É claro que tal história não pode acabar bem. Pessoas tão diferentes assim, vivendo juntas, não poderia dar em boa coisa.

Human Nature é uma comédia de um pouco mais de uma hora e meia, lançada na França e nos Estados Unidos em 2001. Rhys Ifans parece tem sido uma boa escolha para o personagem central da sátira, e tem um desempenho convincente. Patricia Arquette e Tim Robbins não ficam atrás. O espectador é premiado com algumas gargalhadas. Para o público envolvido na área Psi o filme oferece algumas provocações interessantes, talvez alheadas pelo público em geral.

A natureza quase humana trabalha sempre com ideias e conceitos opostos, como natureza e sociedade, instinto e censura, grotesco e belo, mas não de maneira convencional e maniqueísta. Ao contrário, aqui o mundo é o que é, trágico, engraçado, misturado: ao mesmo tempo, complexo e simples – afinal, basta jogar o jogo… desde que se saiba suas regras (Cf. resenha online, aqui).

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Written by Paulo Amadeu

22/05/2010 às 9:32

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