L'itinérance

“Cinema: It is a ribbon of dreams.” (Orson Welles)

Filme: O Casamento de Rachel

Rachel Getting Married, movie

As boas festas de casamento começam, acontecem e acabam. Pois há algumas que parecem não acabar nunca! E o que dizer daqueles ensaios intermináveis para a festa de casamento? Há culturas tão formais e protocolares, que até para simplesmente estar é preciso planejar e ensaiar. E festas de casamento, assim como as festas de família em geral, não são exatamente o melhor momento para se lavar a roupa suja. Devem haver ocasiões mais oportunas para isso.

Dramas familiares são uma realidade. É preciso assisti-los em tela, pois reproduzem a vida. E a vida nem sempre é aquilo que gostaríamos que fosse. Ela é o que é, e se impõe dramaticamente diante das nossas trajetórias e sensibilidades, por vezes, como um rolo compressor. Famílias disfuncionais são geralmente resultado de adultos co-dependentes, e também afetadas pelo alcoolismo, abuso de drogas, e outros vícios, com os pais destratando ou não levando em consideração possíveis doenças mentais ou transtornos de personalidade, ou emulando o comportamento de seus próprios progenitores ou experiências de suas famílias disfuncionais. Porém, existem disfuncionalidades que têm suas origens em traumas. Algo triste é a sombra de um trauma, quando um membro da família morre, e um outro se vê culpado por aquilo, e os anos passam e aquele fantasma vai definindo o tom dos relacionamentos, moldando condutas e ressentimentos, mágoas não manifestas, feridas abertas, dores e conflitos…

O filme que assisti ontem à noite tem um pouco disso tudo. Com um bom movimento de câmera, e um enredo que que se desenvolve em camadas, a trama se desenvolve em um realismo bem angustiante e com a trilha diversificada de um contexto multicultural.  Em O Casamento de Rachel (Rachel Getting Married, 2008), quando Kym (Anne Hathaway) volta para a casa da família Buchman para o casamento de sua irmã Rachel (Rosemarie Dewitt), ela traz consigo uma longa história de crise pessoal, conflitos familiares e tragédia. Um grupo numeroso de amigos e conhecidos do casal foi reunido para um fim de semana alegre de muita comida, música e amor, mas Kym, com seu humor mordaz e sarcástico e talento para dramas arrasadores, atua como um catalisador na dinâmica da família, cujas tensões têm sido há muito mantidas em ponto de ebulição.

Rachel Getting Married é uma drama de 113 minutos, lançado nos Estados Unidos em 2008, e que teve sua estréia no Brasil em fevereiro de 2009. O drama é bem realizado e interpretado. Anne Hathaway está muito bem, e a direção de Jonathan Demme é competente. Alguns consideram este o melhor filme de Demme desde O Silêncio dos Inocentes, embora alguma comparação entre os dois filmes seria sofrível. Não há dúvidas de que O Casamento de Rachel é um retrato de família atento. Há realmente alguns momentos bons, com algumas falas inteligentes e bem humoradas. Li algumas resenhas, e vi que alguns até consideram o filme “leve e divertido”. Isso já é demais. No conjunto total da obra, e até pela temática abordada, o filme pesa e cansa.

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Written by Paulo Amadeu

23/07/2010 às 10:38

Publicado em Close-up

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