L'itinérance

“Cinema: It is a ribbon of dreams.” (Orson Welles)

Filme: O Segredo de Beethoven (Copying Beethoven)

Copying Beethoven, movie

Anna Holtz (Diane Kruger) é uma jovem de vinte e três anos que sonha em se tornar uma compositora. Como estudante do Conservatório de Música, ela é indicada para um cobiçado cargo em uma editora musical. O copiador oficial de Beethoven, Wenzel Schlemmer (Ralph Riach), sofria de câncer e não conseguiria transpor o mais recente trabalho de Beethoven para a partitura. Devido a uma série de eventos ocasionais Anna é designada para trabalhar juntamente a Ludwig van Beethoven (Ed Harris), o mais celebrado artista vivo da época. Anna vai substituir o velho Schlemmer, algo impensável para os padrões da época. Inicialmente descrente, Beethoven faz a Anna um desafio de improvisação, no qual ela demonstra sua sensibilidade musical, e se atreve a mudar a partitura do grande maestro. Anna consegue cativar o coração de Beethoven, que a aceita como escriba, dando início a um forte relacionamento entre os dois. Anna se tornou uma espécie de filha.

A jovem Anna vai trabalhar como copista da Nona Sinfonia de Beethoven. Enquanto seu trabalho avança, Anna se envolve no mundo tortuoso e sanguíneo do Maestro. Para ela, essa colaboração é uma oportunidade divina de provar seu próprio talento como compositora; para o Maestro, a jovem copista pode ajudá-lo a realizar o ponto alto de sua arte – a criação do último quarteto de cordas, a música mais sublime e espiritual jamais escrita. Apesar da afeição mútua que cresce entre os dois, Beethoven despreza (e até ridiculariza) a composição de Anna que, desesperada, vai embora pensando em largar de vez o mundo da música. O Maestro vai atrás dela, implorando para que volte e termine com ele esse último trabalho, depois do qual pode libertá-la para se tornar o que ele diz que ela nasceu para ser: uma compositora.

No filme, Beethoven já é um nome consagrado no mundo musical. O ano é o de 1824. A cidade é Viena. O compositor já estava surdo e sofria imensamente com este fato. O título do filme em português é apelativo e ridículo. As interpretações de Ed Harris e Diane Kruger são excelentes. Copying Beethoven tem boa fotografia, direção e caracterização da época. O contexto vienense é bem retratado, e a trilha sonora, com a maravilhosa música do eterno gênio, já vale o filme. A sequência de estréia da Nona Sinfonia no teatro é primorosa e simplesmente emocionante. Ao final da execução da sinfonia, a direção do filme abafou os aplausos, deixando apenas as vibrações, colocando-nos no lugar do surdo Maestro. Isto foi ao mesmo tempo chocante e sublime! Mesmo aqueles que, como eu, não têm uma formação musical clássica, não deixarão de se sensibilizar com a música de Beethoven. O final do filme talvez não seja exatamente aquele dos sonhos de muita gente, mas combina com uma sinfonia inacabada. O filme termina como um movimento sinfônico em curso. O filme de 104 minutos de duração foi lançado em 2006 (Alemanha, EUA), e tem a excelente direção da polonesa Agnieszka Holland.

Ludwig van Beethoven (1770-1827) foi um compositor alemão, do período de transição entre o Classicismo (século XVIII) e o Romantismo (século XIX). É considerado um dos pilares da música ocidental, pelo incontestável desenvolvimento, tanto da linguagem, como do conteúdo musical demonstrado nas suas obras, permanecendo como um dos compositores mais respeitados e mais influentes de todos os tempos. “Em 1824, surge a Sinfonia nº 9 em Ré Menor. Pela primeira vez na história da música, é inserido um coral numa sinfonia, inserida a voz humana como exaltação dionisíaca da fraternidade universal, com o apelo à aliança entre as artes irmãs: a poesia e a música”.

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Written by Paulo Amadeu

12/10/2010 às 10:24

Publicado em Close-up

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