L'itinérance

“Cinema: It is a ribbon of dreams.” (Orson Welles)

Filme: Minha Amada Imortal

“As lâminas mais finas são as que mais facilmente perdem o fio, se curvam ou se quebram.”

(Palavras porferidas no funeral de Beethoven, no filme Minha Amada Imortal)

O Novo Testamento, em sua maior parte, é formado por cartas. Epístolas que foram entregues — e, acrescente-se, que também foram lidas pelos seus destinatários. Isto faz do Novo Testamento um volume “bem resolvido”, se é que posso usar este tipo de lingaguem. Pouca coisa há mais mal resolvida do que uma carta decisiva que nunca chegou a ser entregue, ou que não tenha sido lida no momento a que se destinava.

Rubem Alves diz que “uma carta de amor é um papel que liga duas solidões”. E Eça de Queirós, ao referir-se à singularidade das cartas, chega a dizer que “as cartas de um homem, sendo o produto quente e vibrante da sua vida, contêm mais ensino que a sua filosofia — que é apenas a criação impessoal do seu espírito”.

Immortal Beloved movie Minha Amada Imortal é um filme sobre uma carta que não foi lida na ocasião que a motivava.

Immortal Beloved  é um filme biográfico britânico e norte-americano de 1994 que traça a história do compositor alemão Ludwig van Beethoven. O filme é dirigido por Bernard Rose e estrelado por Gary Oldman, Jeroen Krabbé, Isabella Rossellini e Valeria Golino. Com cenas rodadas em Praga (República Checa) e em Viena (Áustria), o filme faz uma retrospectiva da vida de Beethoven, até hoje considerado um dos maiores compositores de todos os tempos. 

Quando Beethoven morre, Anton Schindler encontra as últimas vontades de seu velho amigo mencionadas no testamento. Entretanto, no testamento, Beethoven deixa todos os seus bens a uma mulher mencionada apenas como “Minha Amada Imortal”. “O maestro tinha uma paixão secreta!” — surpreende-se. Schindler inicia, então, uma busca épica para descobrir a verdadeira identidade desta mulher. Este é, em síntese, o viés de todo filme. Um drama comovente, denso, envolvente, e que fica mais emocionante embalado pelas sinfonias de Beethoven. A trilha sonora do filme é simplesmente magnífica. Gary Oldman, ao interpretar o gênio, realiza um trabalho muito convincente. Alguns detalhes de edição parecem não ajudar muito, mas o filme, em geral, é muito bom. O gênio musical, surdo, é louvado neste filme, a meu ver com bastante propriedade.

Diversos biógrafos tentaram descobrir quem foi a “Amada Imortal”. Ao longo dos séculos muitos nomes foram mencionados e defendidos. No entanto, a escolha do filme teve uma carga dramática interessante, muito bem amarrada neste ponto. Assista, e tire suas própria conclusões.

Para algumas cenas do filme, acesse vídeos no Youtube, em especial quando da execução da Nona Sinfonia. Confira aqui. Ouça também, com a pianista Maria João Pires, a Sonata para piano n.º 14  "Quasi uma fantasia", Op. 27, n.º 2, popularmente conhecida como Clair de Lune (Moonlight / Sonata ao Luar), uma das obras mais famosas de Beethoven: aqui.

Veja ainda o post anterior: Filme: O Segredo de Beethoven (Copying Beethoven)

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Written by Paulo Amadeu

16/10/2010 às 1:00

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