L'itinérance

“Cinema: It is a ribbon of dreams.” (Orson Welles)

Filme: Piaf, Um Hino ao Amor

La Môme, 2007

Piaf, Um Hino ao Amor (La Môme, 2007) é um filme francês que retrata a vida da cantora Edith Piaf, desde sua infância até o seu leito de morte. Foi dirigido por Olivier Dahan e traz a atriz francesa Marion Cotillard no papel principal. Em inglês, assim como em Portugal, o filme recebeu o título de La Vie en Rose. Lançado em junho de 2007, o filme chegou aos cinemas brasileiros em agosto do mesmo ano.

Personalidade complexa e interessante, a cantora francesa teve uma vida digna de um roteiro de filme. E é justamente isto que acontece com a cinebiografia Piaf, Um Hino ao Amor. Olivier Dahan parece haver encontrado a verdadeira essência da personalidade de Edith Piaf. Mesmo tendo sido ela uma mulher extremamente magoada durante toda a vida, e apesar de haver perdido aqueles a quem mais amava, Edith Piaf nunca perdeu a crença no amor.

A atuação de Marion Cotillard tem sido considerada “mediúnica”.  O crítico de cinema Stephen Holden escreveu no The New York Times acerca da performance de Cotillard: "O mais impressionante mergulho de uma artista no corpo e alma de outra artista que jamais vi no cinema!" A atriz imprimiu ao personagem a emocionalidade, a voz e os trejeitos característicos de Edith Piaf. Em algum momento você se esquece de que se trata de um filme, e a personagen se confunde com a cantora francesa de um maneira incomumente vívida. Alguém escreveu com propriedade: “Aqui, não existem limites entre atriz e Piaf. As duas são uma só.”

Um atrativo adicional é a trilha sonora; todas as gravações presentes são as originais de Edith Piaf. Piaf, Um Hino ao Amor recebeu inúmeros prêmios e indicações mundo afora. Na edição do Oscar de 2008 o filme venceu nas categorias Melhor Atriz (Marion Cotillard) e Melhor Maquiagem; foi indicado ainda na categoria Melhor Figurino. Confira aqui um trailer do filme.

Edith Piaf, o Mito

Edith Piaf foi cantora de música de salão e variedades, mas foi reconhecida internacionalmente pelo seu talento no estilo francês da chanson. Ela nasceu em 19 de dezembro de 1915 como Edith Giovanna Gassion, em Belleville, um distrito cheio de imigrantes em Paris. Piaf, um nome coloquial francês para um tipo de pardal, foi um apelido dado a ela vinte anos depois.

Edith PiafEdith teve uma infância imensamente pobre, sofrida e muito enferma. Foi abandonada pelos pais bem cedo. Entre os eventos dos seus tumultuados primeiros anos estão aqueles do tempo em que ela morou com sua avó paterna. Esta trabalhava então em um bordel em Bernay, na Normandia. Lá, prostitutas tomaram conta da pequena menina enferma. Dos três aos sete anos, Edith ficou supostamente cega devido a uma queratite. De acordo com uma de suas biografias, ela curou-se depois que as prostitutas levaram-na para orar no túmulo de Santa Teresa de Lisieux (conhecida popularmente como Santa Teresinha). Devido a esse episódio, Edith conservou devoção a Santa Teresinha por toda sua vida. Em 1922, o pai de Edith levou-a para viver em sua companhia, enquanto trabalhava em pequenos circos itinerantes. Em 1929, aos quatoreze anos, enquanto seu pai fazia performances acrobáticas nas ruas de toda França, Edith cantou pela primeira vez em público (cf. vídeo aqui).

Aos dezesseis anos Edith apaixonou-se por Louis Dupont, um entregador. Aos dezessete, teve sua única filha, Marcelle, que morreu de meningite com dois anos de idade. Tal como sua mãe, Edith encontrou dificuldade em cuidar da filha enquanto cantava pelas ruas e deixava Marcelle para trás.

Em 1935, Edtih foi descoberta cantando na rua por Louis Leplée, dono do cabaré Le Gerny’s, situado na avenida Champs Élysées, em Paris. Foi ele quem a iniciou na vida artística e a batizou de "la Môme Piaf", uma expressão francesa que significa "pequeno pardal" ou "pardalzinho", pois era ela de baixa estatura, isto é, um metro e quarenta e dois centímetros. Foi durante suas apresentações no Le Gerny’s que Piaf conheceu o compositor Raymond Asso e a compositora Marguerite Monnot, que se tornou sua parceira e grande e fiel amiga por toda sua vida. É de Marguerite composições como "Mon légionnaire", "Hymne à l’amour", "Milord" e "Les Amants d’un jour".

Após a Segunda Guerra Mundia, Edith Piaf tornou-se famosa internacionalmente, excursionando pela Europa, Estados Unidos e América do Sul. Em 1947, ela faz seus primeiros shows nos Estados Unidos. Em 1948, durante sua volta aos Estados Unidos, ela conhece o grande amor de sua vida, o pugilista Marcel Cerdan. De nacionalidade francesa, mas nascido na Algéria, Marcel era casado ao começar um tórrido romance com Edith. Pouco tempo depois de os dois se conhecerem, Marcel tornou-se campeão mundial de boxe. Em 1949, Marcel morreu em acidente de avião num vôo de Paris para Nova York, onde iria reencontrar a cantora. Arrasada pelo sofrimento e também pela poliartrite aguda, Edith Piaf começa a se aplicar fortes doses de morfina. Seu grande sucesso "Hymne à l’amour" e "Mon Dieu" foram cantadas por Edith em memória de Marcel.

Edith Piaf morreu em 10 de outubro de 1963 em Plascassier, na localidade de Grasse, nos Alpes Marítimos. Tinha ela quarenta e sete anos, e estava com a saúde abalada pelos excessos, pela morfina e todo o sofrimento de uma vida. Edith morreu em consequência de uma hemorragia interna, em coma. Foi sepultada na mais célebre necrópole parisiense, o cemitério do Père-Lachaise. Seu funeral foi acompanhado por uma multidão poucas vezes vista na capital francesa. Hoje, o seu túmulo é um dos mais visitados por turistas do mundo inteiro.

Edith Piaf influenciou grande parte dos artistas de sua época, inclusive alguns dos homens com quem conviveu e amou. Entre os nomes influenciados por ela: Gilbert Bécaud, Jacques Pills, Jacques Plante, Louis Amade, Charles Aznavour, Jean Broussolle, Yves Montand, Jacques Prévert, Francis Lemarque, entre tantos outros, hoje também consagrados na história fonográfica da França e do mundo. No contexto imediato ao pós-guerra, que viu nascer toda uma nova geração de artistas, não só a cantora teve apoio incondicional de seus amigos, grandes profissionais de música, mas também ajudou na carreira de muitos deles.

Dona de apresentações intensas e extenuantes do ponto de vista físico, o canto de Edith Piaf expressava claramente sua trágica história de vida. Ela foi uma daquelas artistas que se entregam de corpo e alma à sua arte. Fez do amor a sua maior inspiração, ao cantar músicas sobre o tema que se tornariam verdadeiros clássicos, como “La Vie em Rose”, “Hymme à L’amour”, “Sous le Ciel de Paris”, “Les Amants d’un Jour”, entre tantas outras. Porém, tal como se pode ver no filme, toda a vida de Piaf pode ser sintetizada pela canção “Non, Je Ne Regrette Rien”, que ela canta emocionada em sua volta aos palcos parisienses na cena que encerra Piaf – Um Hino ao Amor (cf. a cena aqui).

Confira em meu espaço Youtube uma lista de reprodução com vídeos musicais e temas relacionados a Edith Piaf, aqui.

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Written by Paulo Amadeu

21/01/2011 às 8:00

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