L'itinérance

“Cinema: It is a ribbon of dreams.” (Orson Welles)

Filme: Hamlet – Laurence Olivier

Hamlet, movieHamlet é um filme britânico de 1948, dirigido e protagonizado por Laurence Olivier (1907-1989) e baseado na clássica peça de teatro homônima de William Shakespeare. Integram também o elenco nomes como Eileen Herlie (rainha Gertrudes), Basil Sydney (rei Cláudio), Norman Wooland (Horácio) e Jean Simmons (Ofélia). Um clássico e premiadíssimo filme! Na edição do Oscar de 1949, venceu nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator (Laurence Olivier), Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino. Foi a primeira vez que um filme estrangeiro recebeu da Academia o prêmio de melhor filme. Foi indicado ainda nas categorias de Melhor Atriz Coadjuvante (Jean Simmons), Melhor Diretor e Melhor Trilha Sonora Original (William Walton). Até 1997, Hamlet era o único filme em que um diretor conduziu a si mesmo como ator e venceu um Oscar. Naquele ano, Roberto Benigni repetiu a façanha com A vida é bela.

Em sua edição de maio de 1948, em matéria “O Eterno Dilema”, a revista Veja comentou o lançamento do filme:

No processo de enxugamento, o diretor suprimiu os personagens Rosencrantz e Guildenstern, cortesãos amigos do príncipe — o que certamente privou Olivier de interpretar Hamlet em seus momentos mais sarcásticos, vividos justamente nas cenas com a dupla. Fortimbrás, príncipe da Noruega, também desapareceu desta versão, e algumas de suas falas foram transferidas para o personagem de Horácio. O mais importante, contudo, é que a ausência destes três personagens eliminou toda a intriga política do enredo; dessa forma, as atenções ficam inteiramente voltadas para o tema central da peça: a relação entre Hamlet, sua amante Ofélia (interpretada por Jean Simmons), seu tio, Cláudio (Basil Sydney) e sua mãe, Gertrudes (Eileen Herlie, na flor de seus 28 anos, treze a menos do que seu filho na história, o quarentão Olivier). E é essa escolha, em que pesem as reclamações dos puristas, que faz a película funcionar de cabo a rabo. Capturada em preto-e-branco (por razões artísticas, de acordo com o diretor), esta versão de Hamlet calca-se, mais do que qualquer outra, na interpretação psicológica dos personagens, trazida à baila por efeitos e movimentos de câmera influenciados pelas inovações de Cidadão Kane, de Orson Welles (1941). Claustrofóbico, Hamlet traduz fielmente ao espectador os terríveis dilemas enfrentados pelo protagonista — que, prova maior da genialidade de Shakespeare, seguem atuais como se tivessem sido escritos ainda ontem. Afinal, nesta era de tantas incertezas, em que o mundo ainda tenta se recuperar das sandices de alguns de seus dignatários, nos perguntamos se as grandes potências querem ser ou não ser. O resto é silêncio. (Cf. aqui)

Hamlet, movie

Hamlet é uma tragédia de Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601. A peça, situada na Dinamarca, reconta a história de como o Príncipe Hamlet tenta vingar a morte de seu pai, o rei, executando seu tio Cláudio, que o envenenou e em seguida tomou o trono casando-se com a mãe de Hamlet. A peça explora temas como o dilema entre morte e vida, a sanidade e a loucura, suicídio, traição, vingança, incesto, corrupção e moralidade. Leia citações neste blog de Hamlet dirigindo-se aos atores e o ator rei à atriz rainha. Acesse uma versão online da peça.

Ser ou não ser… Eis a questão. Que é mais nobre para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes? Morrer… dormir… mais nada… Imaginar que um sono põe remate aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos que constituem a natural herança da carne, é solução para almejar-se. Morrer.., dormir… dormir… Talvez sonhar… É aí que bate o ponto. O não sabermos que sonhos poderá trazer o sono da morte, quando alfim desenrolarmos toda a meada mortal, nos põe suspensos. É essa ideia que torna verdadeira calamidade a vida assim tão longa! Pois quem suportaria o escárnio e os golpes do mundo, as injustiças dos mais fortes, os maus-tratos dos tolos, a agonia do amor não retribuído, as leis amorosas, a implicância dos chefes e o desprezo da inépcia contra o mérito paciente, se estivesse em suas mãos obter sossego com um punhal? Que fardos levaria nesta vida cansada, a suar, gemendo, se não por temer algo após a morte — terra desconhecida de cujo âmbito jamais ninguém voltou — que nos inibe a vontade, fazendo que aceitemos os males conhecidos, sem buscarmos refúgio noutros males ignorados? De todos faz covardes a consciência. Desta arte o natural frescor de nossa resolução definha sob a máscara do pensamento, e empresas momentosas se desviam da meta diante dessas reflexões, e até o nome de ação perdem. (Palavras de Hamlet. Video Youtube aqui)

Statue of Laurence Olivier as Hamlet, London

Statue of Laurence Olivier as Hamlet, 2007, South Bank (Next to the National Theatre and just yards from Waterloo Bridge), London.

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Written by Paulo Amadeu

15/03/2011 às 6:33

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