L'itinérance

“Cinema: It is a ribbon of dreams.” (Orson Welles)

Dez Filmes (56)

Publicamos uma lista de dez filmes a que temos assistido — em alguns casos, mais de uma vez. Procuramos incluir vários gêneros, épocas e avaliações.

M, Eine Stadt sucht einen Mörder, 1931, movie

Peter Lorre em “M., O Vampiro de Dusseldorf” (M, Eine Stadt sucht einen Mörder, 1931)

1. M., O Vampiro de Dusseldorf (M, Eine Stadt sucht einen Mörder, 1931) – Extraordinário filme alemão, do gênero suspense, dirigido por Fritz Lang. Estrelando Peter Lorre, Ellen Widmann e Inge Landgut. Considerado um clássico do cinema expressionista alemão, assume quase uma atemporalidade, à medida em que explicita com bastante precisão muitos dos papéis da sociedade burguesa. Referente à responsabilidade e imputabilidade criminal, quando um homem não é responsável por seus atos? O protagonista assovia constantemente a Le Halle du Roi de la Montagne em Peer Gynt Suite No.1, Op.46 (1876), de Edvard Grieg. “Alguém precisa tomar melhor conta de nossas crianças”. 8,6

2. Fogo de Outono (Dodsworth, 1936) – Conhecido drama dirigido por William Wyler, com roteiro adaptado em um romance homônimo de 1929, por Sinclair Lewis. Estrelando Walter Huston, Ruth Chatterton, Paul Lukas e Mary Astor. Trilha sonora de Alfred Newman, que recorreu a algumas composições conhecidas, inclusive valsas. Enfoca a crise de um casal de meia-idade, e salienta também as diferenças entre norte-americanos e europeus. Em 1937 o filme foi indicado ao Oscar em sete categorias, vencendo como Melhor Direção de Artes. Entre as indicações, as de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Walter Huston) e Melhor Roteiro Original. “Os hábitos de um homem ficam muito fortes em vinte anos”. 8,2

3. A Bela e a Fera (La belle et la bête, 1946) – Filme francês escrito e dirigido por Jean Cocteau. René Clément foi auxiliar de direção e a trilha sonora é de Georges Auric. Estrelando Jean Marais, Josette Day e Marcel André. Trata-se de uma adaptação do conhecido conto homônimo publicado inicialmente em 1740, cuja versão mais conhecida foi um resumo da obra de Madame Villeneuve, publicada em 1756 por Madame Jeanne-Marie LePrince de Beaumont. O clássico conto recebeu versões para espetáculos musicais, proporcionando reflexões sobre a feiúra e a beleza em variadas dimensões. “Ele vem a mim apenas nas horas em que sua crueldade nao é muito assustadora”. 8,1

4. O Galante Mr. Deeds (Mr. Deeds Goes to Town, 1936) – Um dos grandes trabalhos de Frank Capra. Uma inesquecível comédia estrelando Gary Cooper, em boa atuação, e também Jean Arthur e George Bancroft. Um simplório e honesto poeta recebe uma herança milionária, sendo obrigado a deixar sua vida no interior e partir para Nova York, onde lidará com pessoas que desejam aproveitar de sua fortuna e ingenuidade. Em 1937 o filme foi indicado ao Oscar em cinco categorias, vencendo como Melhor Diretor. Entre as demais indicações, as de Melhor Filme, Melhor Ator (Gary Cooper) e Melhor Roteiro. “Não se preocupe. Fortuna traz muita responsabilidade, mas você vai ter ajuda”. 8,0

5. As Noites Brancas (Le notti bianche, 1957) – Excelente filme franco-italiano, também lançado como “Um Rosto na Noite”. Obra-prima de Luchino Visconti, com roteiro baseado no livro Noites Brancas de Fiódor Dostoiévski, publicado em 1848. Estrelando Marcello Mastroianni, Maria Schell (lindíssima) e Jean Marais. Apuradíssimo recurso estético. A boa e eclética trilha sonora de Nino Rota traz desde a ópera O Barbeiro de Sevilha, de Rossini, passando pelo refrão da cantiga Mulher Rendeira (do filme O Cangaceiro, 1953), até Thirteen Women com Bill Haley and His Comets. “Não dissemos nada, mas para mim foi como se tivéssemos dito tudo, que nos teríamos amado por toda a vida”. 7,9

6. Lugar Nenhum na África (Nirgendwo in Afrika, 2001) – Bonito filme alemão dirigido e produzido por Caroline Link, baseado em romance de Stefanie Zweig. Estrelando Juliane Köhler e Merab Ninidze, contando ainda com Sidede Onyulo e Matthias Habich. Descreve dez anos de trajetória de um casal de judeus alemães e sua filha, entre 1937 e 1947. Por ocasião da emergência do nazismo, a família se estabelece no Quênia britânico, onde, ao estourar a guerra, os alemães tornam-se inimigos. Em 2003 ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. “Tolerância não quer dizer que todos sejam iguais… O que eu aprendi aqui foi como são valiosas as diferenças.” 7,7

7. Os Brutos Também Amam (Shane, 1953) – Clássico western dirigido e produzido por George Stevens. O roteiro é uma adaptação do romance homônimo de 1949, por Jack Schaefer. Estrelando Alan Ladd, Jean Arthur, Van Heflin e Jack Palance. O conflito básico pressupõe um debate jurídico pela posse das terras do Oeste. Trilha sonora de Victor Young. Em 1954 o filme foi indicado ao Oscar em seis categorias, vencendo como Melhor Fotografia. Entre as demais indicações, as de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro. “Um homem casado tem de aprender a esperar as mulheres… Escolha uma mulher pela qual vale a pena esperar”.  7,7

8. Em um Mundo Melhor (Hævnen, 2010) – Filme dinamarquês, contando também com empresas suecas, dirigido por Susanne Brier. Estrelando Mikael Persbrandt, Ulrich Thomsen, Trine Dyrholm, Markus Rygaard e William Jøhnk Nielsen. A história se passa numa pequena cidade da Dinamarca e num campo de refugiados na África. A produção evoca algumas tensões e questões éticas bem contemporâneas. Momentos de boa fotografia. Em 2011 o filme ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. “Há um véu entre você a morte… Mas depois o véu reaparece, e você continua vivendo. Então as coisas ficarão bem de novo”. 7,7

9. Samurai (I) (Miyamoto Musashi I, 1954) – Filme japonês dirigido por Hiroshi Inagaki, e o primeiro da conhecida trilogia Samurai. Adaptação do romance Musashi, de Eiji Yoshikawa, vagamente baseado na vida do famoso Miyamoto Musashi (c. 1584-1645). Estrelando Toshirō Mifune, Rentarô Mikuni, Kuroemon Onoe, Kaoru Yachigusa e Mariko Okada. No início do século XVII, após uma batalha pela supremacia do Japão feudal, dá-se a trajetória de amadurecimento de um samurai, inclusive a grande decisão envolvendo a mulher que amou. Em 1956 ganhou o Oscar Honorário de Melhor Filme Estrangeiro. “A vida é uma autêntica batalha. E não há como voltar atrás”. 7,6

10. São Vicente de Paulo; O Capelão das Galeras (Monsieur Vincent, 1947) – Filme francês dirigido por Maurice Cloche. Protagonizado por Pierre Fresnay, em bom desempenho, contando ainda com Aimé Clariond e Jean Debucourt. A história de São Vicente de Paulo (1581-1660), um dos protagonistas da Reforma Católica na França do século XVII. O filme cobre o período entre 1617 e 1660. A França da opulência era também a França da peste, da fome e da miséria, e Paris era um exemplo disso. Em 1949 ganhou o Oscar Honorário de Melhor Filme Estrangeiro. “Antes de pensar em salvar a alma deles, deve-se dar aos miseráveis uma vida pela qual fiquem sabendo que estão vivos”. 6,9

Confira também as listas anteriores de dez (10) filmes: 55, 54, 53, 52, 51… Não constam destas listas aqueles filmes sobre os quais já tenhamos publicado algum post. No canal Youtube talvez você encontre vídeos para alguns destes filmes, com cenas selecionadas e trailers. Consulte as Listas de Reprodução.

Written by Paulo Amadeu

19/12/2011 às 14:15

Publicado em Assistidos Recentemente

Tagged with

%d blogueiros gostam disto: