L'itinérance

“Cinema: It is a ribbon of dreams.” (Orson Welles)

Erich Wolfgang Korngold (1897-1957)

Erich Wolfgang Korngold (1897-1957) foi um compositor austro-húngaro clássico-romântico, com obras preciosas para piano e cordas, óperas e operetas, e scores cinematográficos. É considerado, ao lado de compositores como Max Steiner e Alfred Newman, “um dos pais da trilha sonora”. Atualmente sua música tem suscitado interesse crescente. Quatro indicações ao Oscar, vencendo em duas delas.

Erich Wolfgang Korngold (1897-1957)

Ouça The Sea Hawk; Reunion, de O Gavião do Mar (The Sea Hawk, 1940), uma de suas trilhas mais conhecidas.

Written by Paulo Amadeu

15/01/2012 at 17:23

Dez Filmes (58)

Lista dos últimos dez filmes a que temos assistido — em alguns casos assistidos novamente. A lista inclui vários gêneros, épocas e avaliações.

Fargo (Fargo, 1996)Frances McDormand em “Fargo” (1996), pelos irmãos Joel Coen e Ethan Coen

1. Fargo (Fargo, 1996) – Filme dirigido pelos irmãos Joel Coen e Ethan Coen. Estrelando William H. Macy, Frances McDormand, Steve Buscemi e Peter Stormare. Em pleno inverno, um tipo medíocre, mentiroso e fracassado contrata dois bandidos (um deles é psicopata) para sequestrar sua esposa, com o objetivo de receber o resgaste que seria pago pelo sogro, um homem durão. Após assassinatos, uma policial habilidosa, grávida, se envolve no caso. Trilha sonora bem construída. Baseado em fatos ocorridos em 1987. Em 1997 o filme foi indicado ao Oscar em sete categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor; ganhou como Melhor Roteiro Original e Melhor Atriz  (Frances McDormand). 8,3

2. Pacto Sinistro (Strangers On A Train, 1951) – Bom filme de suspense dirigido por Alfred Hitchcock, com roteiro baseado em livro de Patricia Highsmith. Estrelando Farley Granger, Robert Walker, Ruth Roman e Patricia Hitchcock (filha do diretor). Um tenista famoso, mal casado, que gostaria de se divorciar a fim de casar-se com a mulher que ama, filha de um senador, encontra no trem um psicopata que lhe propõe um pacto. Trilha sonora de Dimitri Tiomki. Em 1952 o filme foi indicado ao Oscar de Melhor Fotografia. “Todos têm alguém de quem gostariam de se ver livres”. 8,3

3. O Grande Golpe (The Killing, 1956) – Clássico noir dirigido por Stanley Kubrick baseado no romance Clean Break de Lionel White. Estrelando Sterling Hayden, Coleen Gray, Vince Edwards e Marie Windsor. O bom roteiro adaptado resultou em um filme envolvente e dinâmico, com alguns lances bem geniais no enredo, que retrata os esforços de uma quadrilha para roubar um hipódromo. O uso de uma cronologia não-linear e múltiplos pontos de vista influenciou muitos cineastas posteriores. Trilha sonora bem construída por Gerald Fried. 8,2

4. O Sol Enganador (Utomlennye solntsem, 1994) – Filme russo, em co-produção francesa, dirigido por Nikita Mikhalkov. Estrelando Oleg Menshikov, Nikita Mikhalkov e Ingeborga Dapkunaite. O filme consegue relacionar a repressão do stalinismo com uma suave crônica de uma família no interior da Rússia. Uma mescla de realidade e ficção, com um pano de fundo que se desenrola em pleno verão de 1936. O nome do filme enfatiza o aspecto enganador sob o qual vivia aquela sociedade, em que o “homem comum” se encontrava perdido e desorientado. Em 1995 ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. 7,9

5. Romeu & Julieta (Romeo and Juliet, 1968) – Filme ítalo-britânico dirigido por Franco Zeffirelli, com roteiro baseado na obra-prima teatral de William Shakespeare. Filmado inteiramente na Itália, em diversas locações. Estrelando Leonard Whiting, Olivia Hussey, John McEnery e Milo O’Shea. Em Inglês, o que permite o contato com a prosa e a poesia no idioma próprio de Shakespeare. A trilha sonora de Nino Rota ficou imortalizada pela conhecida canção What Is a Youth. “Uma melancólica paz traz esta manhã consigo. O sol, por tristeza, recusa-se a mostrar o rosto. Porque nunca houve história mais triste…”. 7,7

6. Os Falsários (Die Fälscher, 2007) – Drama de guerra, de consórcio austríaco e alemão, dirigido por Stefan Ruzowitzky, baseado em história descrita no livro de memórias The Devil’s Workshop: A Memoir of the Nazi Counterfeiting Operation, de Adolf Burger. Estrelando Karl Markovics, August Diehl e Devid Striesow. Um criminoso judeu russo, o maior falsário de Berlim, presidiário em campos de concentração durante a Segunda Grande Guerra, lidera para os nazistas uma operação de falsificação de dinheiro e documentos. A história se passa entre 1936 e o carnaval de 1945. Em 2008 ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. 7,6

7. O Tambor (Die Blechtrommel, 1979) – Filme dirigido por Volker Schlöndorff, em consórcio alemão, francês, polonês e iugoslavo. Baseado no livro homônimo de Günter Grass, de 1959. Estrelando David Bennent, Mario Adorf, Angela Winkler, Daniel Olbrychski e Charles Aznavour. Na província da Pomerânia, noroeste da Polônia, na cidade de Gdańsk (Dantzig durante o domínio alemão), um menino da etnia cassubiana para de crescer entre os três e os vinte anos. Durante este período ele carrega um tambor, do qual não se separa. Em tons satíricos, a história se inicia em 1899 e percorre os acontecimentos até o fim da Segunda Grande Guerra. Trilha sonora de Maurice Jarre. Em 1980 ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. 7,6

8. A Viagem da Esperança (Reise der Hoffnung, 1990) – Filme suíço, em consórcio também turco e britânico, com direção de Xavier Koller. Estrelando Necmettin Çobanoglu, Nur Sürer e Emin Sivas. O enredo retrata a viagem de um homem pobre da Turquia para a Suíça. Deixando para trás seis de seus filhos, ele parte com a esposa grávida e um dos filhos menores. A viagem inclui uma travessia pelos alpes durante uma nevasca. Boa fotografia, e a questão do fluxo de imigrantes ilegais na Europa. Vários idiomas são trazidos para o filme. Em 1991 ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. “Os jovens se adaptam mais facilmente. Só eles podem mudar as coisas, não nós”. 7,6

9. Sombras de Goya (Goya’s Ghosts, 2006) – Filme de consórcio espanhol-estadunidense dirigido por Miloš Forman. Estrelando Javier Bardem, Natalie Portman e Stellan Skarsgård. A história se passa na Espanha, entre 1792 e 1809, durante a Inquisição Espanhola e as Guerras Napoleônicas. O pintor espanhol Francisco de Goya, de olhos perceptivos e detalhistas e ouvidos surdos, testemunhou e registrou o período em imagens: a inquisição, o período de incursão e domínio napoleônico, o ideário da Revolução Francesa na Espanha, a contra-ofensiva espanhola com o apoio inglês. Uma boa introdução às obras de Goya. 6,9

10. Uma Loira para Três (She Done Him Wrong, 1933) – Esta comédia dirigida por Lowell Sherman foi o primeiro filme estrelado por Mae West. O roteiro é baseado na peça Diamond Lil, escrita e estrelada pela própria Mae em 1928, encenada na Broadway por noventa e sete semanas. Estrelando ainda Cary Grant, Owen Moore e Gilbert Roland. A história, que se passa em Nova York nos anos 1890, é acerca de uma cantora de clube noturno. Em 1934 foi indicado ao Oscar de Melhor Filme; trata-se da produção com a menor metragem a ter sido indicada a este prêmio. “Há algo de maravilhoso nele… Ele não olha para mim. Só por mera curiosidade. Ele é diferente.” 6,6

Confira também as listas anteriores de dez (10) filmes: 57, 56, 55, 54, 53… Não constam destas listas aqueles filmes sobre os quais já tenhamos publicado algum post. No canal Youtube talvez você encontre vídeos para alguns destes filmes, com cenas selecionadas e trailers. Consulte as Listas de Reprodução.

Written by Paulo Amadeu

12/01/2012 at 12:09

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Mae West (1893-1980)

Mae West (1893-1980)

Mae West (nascida Mary Jane West, 1893-1980) foi uma atriz, cantora, dramaturga e roteirista norte-americana. Uma carreira de sete décadas, iniciada na Broadway e depois notabilizada em Hollywood. Verdadeiro mito e símbolo sexual, tornou-se uma das estrelas de cinema mais controvertidas dos seus dias.

Mae West (1893-1980)

Written by Paulo Amadeu

08/01/2012 at 15:00

Dez Filmes (57)

Publicamos uma lista de dez filmes a que temos assistido — em alguns casos, mais de uma vez. Procuramos incluir vários gêneros, épocas e avaliações.

The Pianist, 2002, movie

Adrien Brody em “O Pianista” (The Pianist, 2002) de Roman Polanski

1. O Pianista (The Pianist, 2002) – Drama biográfico dirigido por Roman Polanski, estrelado por Adrien Brody, com roteiro baseado em obra autobiográfica de Władysław Szpilman, famoso pianista judeu-polonês. Com a invasão alemã e o início da Segunda Guerra Mundial, e restrições aos judeus poloneses pelos nazistas, o filme mostra o surgimento do Gueto de Varsóvia. Na edição do Oscar de 2003 o filme venceu nas categorias de Melhor Diretor (Roman Polanski), Melhor Ator (Adrien Brody) e Melhor Roteiro Adaptado (Ronald Harwood). Foi indicado ainda em quatro categorias, entre as quais as de Melhor Filme e Melhor Fotografia. Muito boa trilha sonora que recorre às peças clássicas dos Noturnos de Chopin. 8,5

2. Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992) – Filme policial escrito e dirigido por Quentin Tarantino. É o primeiro filme da carreira do diretor. Retrata os eventos anteriores e posteriores a um malogrado roubo de diamantes. Estrelado por Harvey Keitel, Steve Buscemi, Tim Roth, Michael Madsen e Chris Penn. Tornou-se um clássico do cinema independente. O diretor faz um pequeno papel no filme, assim como Edward Bunker, escritor de livros policiais. Reservoir Dogs incorpora uma série de temas que se tornaram marcas do trabalho de Tarantino: criminalidade, violência, referências à cultura pop, constante uso de palavrões e narrativa não-linear. “Não é preciso provas quando se tem instintos”. 8,4

3. O Salário do Medo (Le Salaire de la peur, 1953) – Filme franco-italiano dirigido por Henri-Georges Clouzot, com roteiro adaptado em romance de Georges Arnaud. Estrelando Yves Montand, Charles Vanel, Folco Lulli, Peter van Eyck e Véra Clouzot. A história se passa na América do Sul, num contexto de língua hispânica e de extração de petróleo, onde quatro homens são contratados para transportarem um carregamento de nitroglicerina. O contexto de presença de estangeiros traz para o filme, além do Espanhol, os idiomas Francês, Inglês, Alemão, Italiano e Russo. As reações e as relações humanas em situações limites, quando se conjugam o perigo, a tensão, a morte e o medo. Trilha sonora de Georges Auric. 8,3

4. Uma Aventura na África (The African Queen, 1951) – Filme anglo-americano dirigido por John Huston, com argumento baseado no romance de C. S. Forester. Estrelando Katharine Hepburn e Humphrey Bogart. Em 1914, no inicio da Primeira Guerra Mundial, que tem seu impacto na África colonial, um aventureiro canadense e uma missionária inglesa descem o rio Congo em um pequeno barco. Embora a formação e temperamentos opostos, eles se apaixonam. Em 1952 o filme ganhou o Oscar de Melhor Ator (Humphrey Bogart), tendo sido indicado ainda como Melhor Diretor, Melhor Atriz (Katharine Hepburn) e Melhor Roteiro. Trilha sonora de Allan Gray. “Não estou arrependido de ter vindo… Valeu a pena”. 8,0

5. Mephisto (Mephisto, 1981) – Adaptação do romance homônimo de Klaus Mann, dirigida por István Szabó e estrelada por Klaus Maria Brandauer. Co-produção entre empresas da Hungria, Alemanha Ocidental e Áustria. A trajetória de um ator alemão que, tendo iniciado carreira em Hamburgo, segue para Berlim, onde se torna o ator mais importante da Alemanha. Talentoso, porém ambicioso, camaleônico e oportunista, torna-se o diretor do teatro prussiano à época da emergência do regime nazista. Adapta o Fausto, em seu pacto com o demônio Mefistófeles. Em 1982 ganhou o Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro pela Hungria. “Este deve ser o segredo do ator. Demonstrar força quando se é fraco”. 7,8

6. Bravura Indômita (True Grit, 2010) – Bom western dirigido pelos irmãos Joel e Ethan Coen. Steven Spielberg é um dos produtores. Segunda adaptação do romance homônimo de Charles Portis, de 1968. Estrelando Hailee Steinfeld, Jeff Bridges, Matt Damon, Josh Brolin e Barry Pepper. Uma menina de quatorze anos contrata um homem para rastrear e capturar o assassino de seu pai. Em 2011 o filme foi indicado ao Oscar em 10 (dez) categorias, entre as quais Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Ator (Jeff Bridges) e Melhor Atriz Coadjuvante (Hailee Steinfeld). Na trilha sonora, melodias instrumentais de hinos do repertório religioso da época. “Fogem os perversos, sem que ninguém os persiga”. 7,8

7. Kolya (Kolja, 1996) – Bom filme tcheco dirigido por Jan Svěrák. Estrelando Zdenek Sverák, Andrei Chalimon e Libuse Safránková. Em 1988, em Praga, durante a ocupação soviética e a subsequente resistência tcheca, um músico de funerais, que faz manutenção em lápides, solteirão convicto, precisando de dinheiro, aceita casar-se com uma mulher russa, mais nova que ele, e que já tem um filho de cinco anos. Acaba tendo que assumir sozinho o menino, e tem sua vida transformada. Em diversos momentos a câmera capta com sensibilidade o olhar do menino. Boa trilha sonora e alguns momentos de boa fotografia de Praga. Em 1997 ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. 7,7

8. A História Oficial (La historia oficial, 1985) – Filme argentino, do gênero drama, dirigido e escrito por Luis Puenzo. Estrelando Norma Aleandro, Héctor Alterio, Chunchuna Villafañe, Hugo Arana e Guillermo Battaglia. Em Buenos Aires, uma professora de História, inserida num contidiano burguês de classe média, descobre que a criança que adotou pode ser filha de vítimas políticas da ditadura militar. No movimento das Mães da Praça de Maio ela encontra aquela que seria a avó biológica de sua filha. Em 1986 o filme ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e foi indicado como Melhor Roteiro Original. “É sempre mais fácil crer que não é possível. Porque se fosse possível, precisaria de muita cumplicidade.” 7,7

9. Inverno da Alma (Winter’s Bone, 2010) – Drama baseado na obra homônima de Daniel Woodrell, de 2006. O filme foi escrito e dirigido por Debra Granik e protagonizado por Jennifer Lawrence, estrelando ainda John Hawkes e Garret Dillahunt. Um garota de dezessete, com uma mãe doente e dois irmãos menores, vai em busca de seu pai desaparecido, para não perder a casa que fora dada por ele como garantia de liberdade condicional. Em 2011 foi indicado ao Oscar em quatro categorias, entre as quais Melhor Filme, Melhor Atriz (Jennifer Lawrence) e Melhor Roteiro Adaptado. 7,3

10. Agonia e Êxtase (The Agony and the Ecstasy, 1965) – Filme dirigido por Carol Reed, com roteiro adaptado de um livro de Irving Stone. Estrelando Charlton Heston, Rex Harrison e Diane Cilento. Retrata o trabalho de Michelangelo para o Papa Júlio II na Capela Sistina, “o trabalho de um artista que não queria pintar”, na mesma época em que Rafael pintava na Biblioteca. A parte inicial consiste de uma apresentação das principais esculturas de Michelangelo. Em 1966 foi indicado ao Oscar em cinco categorias, incluindo Melhor Trilha Sonora (Alex North) e Melhor Fotografia. “O amor tem caminhos estranhos. É a linguagem do sangue. Não é fria nem indiferente. Ou é agonia, ou êxtase, às vezes, os dois de uma vez”. 6,9

Confira também as listas anteriores de dez (10) filmes: 56, 55, 54, 53, 52… Não constam destas listas aqueles filmes sobre os quais já tenhamos publicado algum post. No canal Youtube talvez você encontre vídeos para alguns destes filmes, com cenas selecionadas e trailers. Consulte as Listas de Reprodução.

Written by Paulo Amadeu

02/01/2012 at 11:52

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Charlton Heston (1923-2008)

Charlton Heston (1923-2008)

Charlton Heston(nascido John Charles Carter, 1923-2008) foi um ator norte-americano notabilizado no cinema por papéis heróicos em superproduções da época de ouro de Hollywood. De imensa popularidade, realizou também muitos papéis coadjuvantes/secundários e pequenas aparições.

Charlton Heston (1923-2008)

Written by Paulo Amadeu

02/01/2012 at 0:03

Filme: A Festa de Babette (Babettes gæstebud, 1987)

(Atenção: spoiler)

A Festa de Babette (Babettes gæstebud, 1987)

A maioria das pessoas vive hoje  em uma cultura onde a paisagem está pontilhada de restaurantes de todos os tipos. Além disso, a atual publicidade com a qual somos alimentados convenceu-nos de que se não tomarmos três boas refeições, entremeadas com diversas refeições ligeiras, corremos o risco de “morrer de fome” ou de desenvolver uma subnutrição. Porém, estas duas realidades, amplamente disseminadas hoje em dia, são estranhas a muitos contextos carentes da atualidade, e com certeza não faziam parte do cotidiano da maioria das pessoas no passado. Acrescente-se que desde tempos bem remotos se encontram exemplos de pessoas inclinadas a praticar uma  rigidez espartana. O ascetismo tende a desprezar as boas coisas da vida; o asceta se nega à alegria, e propõe a abstinência dos prazeres. O dualismo asceta tem influenciado grandemente a religiosidade ocidental.

Martine e Filippa são duas irmãs idosas que se exercitam incansavelmente num tipo de piedade cristã característicamente ascética. No século XIX, mais especificamente em 1885, as duas mulheres, que não se casaram,A Festa de Babette (Babettes gæstebud, 1987) vivem em uma pequena aldeia na remota e bela, porém igualmente árida e fria, costa oeste da Jutlândia, a grande península da Dinamarca. Martine e Filippa receberam estes nomes como uma homenagem aos reformadores luteranos do século XVI, Martinho Lutero e Philipp Melanchthon. O pai das duas anciãs foi um pastor que fundou um grupo religioso derivado do luteranismo. A seita era caracterizada por um forte rigor ascético e pietismo cristão manifesto em obras de caridade. Conquanto o pastor já houvesse falecido há muito tempo e o grupo religioso não arrebanhasse novos convertidos, as duas irmãs, enquanto envelheciam, presidiam abnegada e amorosamente a sua congregação de fiéis rurais, cada dia menor e mais colorida por cabelos brancos.

Retrocedendo no tempo quarenta e nove anos, encontramos as duas irmãs, Martine e Filippa, em sua beleza arrebatadora. O pai rejeita todos os pretendentes, enaltecendo a vida celibatária, e estimando o amor terreno e o casamento como “ilusões vazias”. As filhas são para ele como “as mãos direita e esquerda”, ou como “a sua prata e o seu ouro”. Cada filha é cortejada por um pretendente apaixonado que visita a Jutlândia. Martine por um oficial da cavalaria sueca, e Filippa por um barítono francês da Ópera de Paris, que, ensinando canto à filha do ministro religioso, quebrava com o canto lírico o silêncio da costa. A Festa de Babette (Babettes gæstebud, 1987) Os dois pretendentes apaixonaram-se desesperadamente. Porém, não podendo ter o seu amor correspondido, o jovem oficial vai embora sentindo-se indigno da mão de Martine. O barítono francês, por sua vez, que desejava levar Filippa para o canto lírico parisiense, após várias tentativas, empolga-se e beija-a durante um ensaio de um dueto de Don Giovanni. Filippa decide suspender as aulas e recusa a oferta de estrelato e riqueza.

Trinta e cinco anos depois, isto é, em 1871, em noite de tempestade, Babette Hersant bate à porta das duas irmãs. Babette chega ao pequeno vilarejo na Dinamarca fugindo da França durante a repressão à Comuna de Paris. Ela traz uma carta do ex-pretendente de Filippa, o cantor de ópera, explicando a sua situação e recomendando-a para ser acolhida na casa, onde poderia trabalhar para custear sua pensão. Babette se emprega como faxineira e cozinheira, é instalada num pequeno e modestíssimo quarto preparado no sótão da residência, e ali vive por quatorze anos.

Babette torna-se conhecida no vilarejo, aprendendo com dificuldades o novo idioma, até que um dia recebe a notícia de que havia ganho uma fortuna na loteria francesa. O prêmio montava em 10.000 francos, que certamente lhe permitiriam voltar à sua antiga casa e ao seu estilo de vida mais requintado. Ninguém no vilarejo sabia de sua qualificação e da atividade que realizava em Paris, nem mesmo as duas irmãs, conquanto, crescentemente, os dotes culinários da francesa vão se fazendo evidentes. Ao invés de voltar à França, ela pede permissão para preparar um jantar em comemoração ao centésimo aniversário do pastor. Embora com alguma relutância, as irmãs concordam em aceitar a sua oferta de pagar "um verdadeiro jantar francês". Babette se ausenta do vilarejo por alguns dias, A Festa de Babette (Babettes gæstebud, 1987) a fim de pessoalmente providenciar os suprimentos a serem enviados para a Jutlândia. Os ingredientes são abundantes, suntuosos e exóticos, e sua chegada causa muitos comentários entre os moradores do pequeno povoado.

Com a chegada dos igredientes e iguarias riquíssimas e refinadas, com seu aspecto até mesmo chocante, e ao terem início os preparativos, as irmãs começam a se preocupar que a refeição será, na melhor das hipóteses, um grande pecado de luxúria e sensualidade, e na pior, alguma forma de festival pagão e diabólico, um ritual de bruxaria. Em uma rápida reunião, as irmãs e os fiéis da congregação concordam em participar da refeição, a fim de não magoar a amiga de todos eles. Decidem, entretanto, renunciar a qualquer tipo de prazer na refeição, procurando ser discretos e reservados, e evitando fazer menção à comida durante o tempo em que estiverem ceando.

Mais do que apenas um deleite epicurista, a festa é uma manifestação de imenso afeto de Babette, um ato com ecos de auto-sacrifício eucarístico. Embora não conte a ninguém, Babette está gastando todo o prêmio que ganhara em seu gesto de gratidão. Você é capaz de imaginar os detalhes que envolvem uma refeição no restaurante mais caro da França? A Festa de Babette (Babettes gæstebud, 1987) Imagine os procedimentos protocolares, as vestimentas dos serviçais, os talheres, os guardanapos, os cristais, os linhos, as louças chinesas, as bebidas e licores, os apertivos, as sobremesas… Quando entram naquela singela e rústica residência, a princípio os convidados ficam perceptivelmente assustados e tomados de um indisfarçável sentimento de culpa.

O ambiente branco e cinza daquele povoado ganha cores no momento do banquete, quando são focados os diversos tipos de pratos e delícias. E tais quais peixes, “os convidados são fisgados pela boca”. A figura de mais destaque entre os convidados é o antigo ex-pretendente de Martine, agora um famoso general casado com alguém da corte da rainha. Ele estava de passagem na região, em residência de sua tia, e como um homem cosmopolita, e ex-adido em Paris, é a única pessoa à mesa com qualificação para comentar sobre o banquete. É ele quem fornece aos hóspedes informações abundantes e explícitas sobre a extraordinária qualidade do serviço, da comida e da bebida. O menu responsável pelo arrebatamento dos presentes inclui Potage à la Tortue, Blinis Demidoff au Caviar, Caille en Sarcophage avec Sauce Perigourdine, salada de chicória belga e nozes ao vinagrete, e Les Fromages, com queijo azul, mamão, figos, uvas, abacaxi e romãs. O grand finale traz como sobremesa Savarin au Rhum avec des Figues et Fruits Glacées. O menu se completa com numerosos e raros vinhos, incluindo um 1845 Clos de Vougeot e um 1860 Veuve Clicquot champagne. O general comenta que o refinamento e os custos do banquete, assim como o estilo e luxo do serviço só poderiam ser comparados ao que ele experimentara no famoso Café Anglais, em Paris, onde o Chef anterior era uma mulher famosíssima por suas extraordinárias habilidades culinárias — ocupação anterior de Babette, até então desconhecida pelas irmãs, e revelada por ela em ato de confiança após a refeição. A Festa de Babette (Babettes gæstebud, 1987) O comentário do general culmina com um breve discurso reflexivo baseado no Salmo 85.10, que algumas vezes ouvira do falecido pastor: "A misericórdia e a verdade se encontraram; a justiça e a paz se beijaram”.

Embora os celebrantes do vilarejo inicialmente se recusassem a comentar sobre os prazeres terrenos da comida e da bebida, e a reconhecerem os dons extraordinários de Babette como divinos, com a euforia suscitada pelo jantar, dá-se a quebra de desconfiança e superstições, elevando os comensais camponeses não apenas fisicamente, mas espiritualmente. Hostilidades e disputas  antigas são esquecidas, amores antigos são reacendidos e uma redenção do humano se estabelece à mesa. Sentem-se todos eles privilegiados com a oportunidade daquela celebração, indizivelmente gratos por tal graça eucarística.

Após a revelação da verdadeira identidade de Babette, as irmãs assumem que ela irá agora voltar a Paris. Surpreendentemente ela informa que todo o seu dinheiro se foi e que ela não vai a lugar algum. As irmãs reagem perplexas, assustadas. Babette informa que aquele banquete no Café Anglais tem um custo de 10.000 francos. Em lágrimas, Martine comenta: "Agora você vai ser pobre o resto da vida!". Ao que Babette responde: "Um artista nunca é pobre".

“Estamos todos famintos e carentes”

Segundo a Psicanálise, pulsão é “o processo dinâmico que consiste numa pressão ou força que faz o organismo tender para um objetivo”. Segundo Freud, uma pulsão tem a sua fonte numa excitação corporal; o seu objetivo ou meta é suprimir o estado de tensão que reina na fonte pulsional; é no objeto ou graças a ele que a pulsão pode atingir a sua meta. No entendimento inicial freudiano, as pulsões de autoconservação deveriam ser situadas, já de início, do lado do princípio de realidade e as pulsões sexuais ao lado do princípio do prazer. Freud será levado a revisar este conceito posteriormente.

No livro Mulher 40 Graus à Sombra; reflexões sobre a Vida a partir dos 40 Anos, as autoras fazem um comentário sobre o jantar de Babette que considero interessante. Escolho citá-las pois são psicanalistas:

Babette, uma mulher de mais ou menos cinquenta anos […] não revelara a ninguém a sua habilidade: ‘transformar um jantar numa espécie de caso de amor, onde fosse impossível distinguir entre o apetite físico e o espiritual’. Dando o melhor de si, na expressão de sua arte, seduzia a todos que provasse de sua mágica comida.

Não era à toa que os velhinhos, A Festa de Babette (Babettes gæstebud, 1987) que tinham medo de felicidade, fissessem um pacto contra a bruxa Babette: comer como se nunca tivessem tido paladar.

O banquete começado; lentamente as manifestações de medo e desconfiança iniciais vão cedendo. Redescobrem o prazer, lambem os beiços e chupam os dedos. Velhos enamorados se reencontram através de olhares de cumplicidade e toques de carinho. Confissões e gestos reasseguram antigos sentimentos de amizade fraterna. E, assim, vão exorcizando culpas, traições e todas as mazelas e mumunhas que os mantinham em isolamento. Recuperam a capacidade de ouvir, falar, ver, sorrir, conviver… viver.

A julgar pela reação final das pessoas que curtiram a festa de Babette, num incontrolável apetite, há que suspeitar que estamos todos famintos e carentes, precisando resgatar sabores e valores.

O também psicanalista Rubem Alves, num artigo interessantíssimo, lança seu olhar perspicaz sobre Babette e sua arte de seduzir:

Quem pensa que a comida só faz matar a fome está redondamente enganado. Comer é muito perigoso. Porque quem cozinha é parente próximo das bruxas e dos magos. Cozinhar é feitiçaria, alquimia. E comer é ser enfeitiçado. Sabia disso Babette, artista que conhecia os segredos de produzir alegria pela comida. Ela sabia que, depois de comer, as pessoas não permanecem as mesmas. Coisas mágicas acontecem. […] De fato, a feitiçaria aconteceu: sopa de tartaruga, cailles au sarcophage, vinhos maravilhosos, o prazer amaciando os sentimentos e pensamentos, as durezas e rugas do corpo sendo alisadas pelo paladar, as máscaras caindo, os rostos endurecidos ficando bonitos pelo riso, in vino veritas… 

A Festa de Babette (Babettes gæstebud, 1987) é um filme dinamarquês dirigido por Gabriel Axel, com roteiro baseado em conto de Isak Dinesen (pseudônimo de Karen Blixen), que já oferecera ao cinema a base do roteiro para o filme Entre dois amores (Out of Africa, 1985). O grande e bom elenco é fomado por Stéphane Audran, Bodil Kjer e Birgitte Federspiel, além de nomes como Jarl Kulle, Jean-Philippe Lafont e Vibeke Hastrup. Em 1988 o filme ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e colheu muitos outros prêmios importantes. Alguns bons destaques do filme são a trilha sonora por Per Nørgaard, a direção de arte de Sven Wichmann e a direção de fotografia por Henning Kristiansen.

Written by Paulo Amadeu

26/12/2011 at 12:16

Jean Gabin (1904-1976)

Jean Gabin (1904-1976)

Jean Gabin (nascido Jean-Alexis Moncorgé, 1904-1976) foi um premiado ator francês. Iniciou sua carreira cinematográfica em 1931 e por mais de trinta anos foi considerado o maior ator do cinema francês. Interpretou frequentemente personagens afastados da sociedade, e alguns tornaram-no muito conhecido.

Jean Gabin (1904-1976)

Written by Paulo Amadeu

22/12/2011 at 12:47

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Jean Renoir (1894-1979)

Jean Renoir (1894-1979)

Jean Renoir (1894-1979) foi um cineasta, escritor, roteirista, encenador e ator francês. Filho do pintor impressionista Pierre-Auguste Renoir, foi criado entre as artes. Como diretor e ator atuou em mais de quarenta filmes. Incompreendidos e subestimados no seu tempo, os seus filmes estão hoje classificados entre as maiores obras cinematográficas.

Jean Renoir (1894-1979)

Written by Paulo Amadeu

21/12/2011 at 7:30

Dez Filmes (56)

Publicamos uma lista de dez filmes a que temos assistido — em alguns casos, mais de uma vez. Procuramos incluir vários gêneros, épocas e avaliações.

M, Eine Stadt sucht einen Mörder, 1931, movie

Peter Lorre em “M., O Vampiro de Dusseldorf” (M, Eine Stadt sucht einen Mörder, 1931)

1. M., O Vampiro de Dusseldorf (M, Eine Stadt sucht einen Mörder, 1931) – Extraordinário filme alemão, do gênero suspense, dirigido por Fritz Lang. Estrelando Peter Lorre, Ellen Widmann e Inge Landgut. Considerado um clássico do cinema expressionista alemão, assume quase uma atemporalidade, à medida em que explicita com bastante precisão muitos dos papéis da sociedade burguesa. Referente à responsabilidade e imputabilidade criminal, quando um homem não é responsável por seus atos? O protagonista assovia constantemente a Le Halle du Roi de la Montagne em Peer Gynt Suite No.1, Op.46 (1876), de Edvard Grieg. “Alguém precisa tomar melhor conta de nossas crianças”. 8,6

2. Fogo de Outono (Dodsworth, 1936) – Conhecido drama dirigido por William Wyler, com roteiro adaptado em um romance homônimo de 1929, por Sinclair Lewis. Estrelando Walter Huston, Ruth Chatterton, Paul Lukas e Mary Astor. Trilha sonora de Alfred Newman, que recorreu a algumas composições conhecidas, inclusive valsas. Enfoca a crise de um casal de meia-idade, e salienta também as diferenças entre norte-americanos e europeus. Em 1937 o filme foi indicado ao Oscar em sete categorias, vencendo como Melhor Direção de Artes. Entre as indicações, as de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Walter Huston) e Melhor Roteiro Original. “Os hábitos de um homem ficam muito fortes em vinte anos”. 8,2

3. A Bela e a Fera (La belle et la bête, 1946) – Filme francês escrito e dirigido por Jean Cocteau. René Clément foi auxiliar de direção e a trilha sonora é de Georges Auric. Estrelando Jean Marais, Josette Day e Marcel André. Trata-se de uma adaptação do conhecido conto homônimo publicado inicialmente em 1740, cuja versão mais conhecida foi um resumo da obra de Madame Villeneuve, publicada em 1756 por Madame Jeanne-Marie LePrince de Beaumont. O clássico conto recebeu versões para espetáculos musicais, proporcionando reflexões sobre a feiúra e a beleza em variadas dimensões. “Ele vem a mim apenas nas horas em que sua crueldade nao é muito assustadora”. 8,1

4. O Galante Mr. Deeds (Mr. Deeds Goes to Town, 1936) – Um dos grandes trabalhos de Frank Capra. Uma inesquecível comédia estrelando Gary Cooper, em boa atuação, e também Jean Arthur e George Bancroft. Um simplório e honesto poeta recebe uma herança milionária, sendo obrigado a deixar sua vida no interior e partir para Nova York, onde lidará com pessoas que desejam aproveitar de sua fortuna e ingenuidade. Em 1937 o filme foi indicado ao Oscar em cinco categorias, vencendo como Melhor Diretor. Entre as demais indicações, as de Melhor Filme, Melhor Ator (Gary Cooper) e Melhor Roteiro. “Não se preocupe. Fortuna traz muita responsabilidade, mas você vai ter ajuda”. 8,0

5. As Noites Brancas (Le notti bianche, 1957) – Excelente filme franco-italiano, também lançado como “Um Rosto na Noite”. Obra-prima de Luchino Visconti, com roteiro baseado no livro Noites Brancas de Fiódor Dostoiévski, publicado em 1848. Estrelando Marcello Mastroianni, Maria Schell (lindíssima) e Jean Marais. Apuradíssimo recurso estético. A boa e eclética trilha sonora de Nino Rota traz desde a ópera O Barbeiro de Sevilha, de Rossini, passando pelo refrão da cantiga Mulher Rendeira (do filme O Cangaceiro, 1953), até Thirteen Women com Bill Haley and His Comets. “Não dissemos nada, mas para mim foi como se tivéssemos dito tudo, que nos teríamos amado por toda a vida”. 7,9

6. Lugar Nenhum na África (Nirgendwo in Afrika, 2001) – Bonito filme alemão dirigido e produzido por Caroline Link, baseado em romance de Stefanie Zweig. Estrelando Juliane Köhler e Merab Ninidze, contando ainda com Sidede Onyulo e Matthias Habich. Descreve dez anos de trajetória de um casal de judeus alemães e sua filha, entre 1937 e 1947. Por ocasião da emergência do nazismo, a família se estabelece no Quênia britânico, onde, ao estourar a guerra, os alemães tornam-se inimigos. Em 2003 ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. “Tolerância não quer dizer que todos sejam iguais… O que eu aprendi aqui foi como são valiosas as diferenças.” 7,7

7. Os Brutos Também Amam (Shane, 1953) – Clássico western dirigido e produzido por George Stevens. O roteiro é uma adaptação do romance homônimo de 1949, por Jack Schaefer. Estrelando Alan Ladd, Jean Arthur, Van Heflin e Jack Palance. O conflito básico pressupõe um debate jurídico pela posse das terras do Oeste. Trilha sonora de Victor Young. Em 1954 o filme foi indicado ao Oscar em seis categorias, vencendo como Melhor Fotografia. Entre as demais indicações, as de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro. “Um homem casado tem de aprender a esperar as mulheres… Escolha uma mulher pela qual vale a pena esperar”.  7,7

8. Em um Mundo Melhor (Hævnen, 2010) – Filme dinamarquês, contando também com empresas suecas, dirigido por Susanne Brier. Estrelando Mikael Persbrandt, Ulrich Thomsen, Trine Dyrholm, Markus Rygaard e William Jøhnk Nielsen. A história se passa numa pequena cidade da Dinamarca e num campo de refugiados na África. A produção evoca algumas tensões e questões éticas bem contemporâneas. Momentos de boa fotografia. Em 2011 o filme ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. “Há um véu entre você a morte… Mas depois o véu reaparece, e você continua vivendo. Então as coisas ficarão bem de novo”. 7,7

9. Samurai (I) (Miyamoto Musashi I, 1954) – Filme japonês dirigido por Hiroshi Inagaki, e o primeiro da conhecida trilogia Samurai. Adaptação do romance Musashi, de Eiji Yoshikawa, vagamente baseado na vida do famoso Miyamoto Musashi (c. 1584-1645). Estrelando Toshirō Mifune, Rentarô Mikuni, Kuroemon Onoe, Kaoru Yachigusa e Mariko Okada. No início do século XVII, após uma batalha pela supremacia do Japão feudal, dá-se a trajetória de amadurecimento de um samurai, inclusive a grande decisão envolvendo a mulher que amou. Em 1956 ganhou o Oscar Honorário de Melhor Filme Estrangeiro. “A vida é uma autêntica batalha. E não há como voltar atrás”. 7,6

10. São Vicente de Paulo; O Capelão das Galeras (Monsieur Vincent, 1947) – Filme francês dirigido por Maurice Cloche. Protagonizado por Pierre Fresnay, em bom desempenho, contando ainda com Aimé Clariond e Jean Debucourt. A história de São Vicente de Paulo (1581-1660), um dos protagonistas da Reforma Católica na França do século XVII. O filme cobre o período entre 1617 e 1660. A França da opulência era também a França da peste, da fome e da miséria, e Paris era um exemplo disso. Em 1949 ganhou o Oscar Honorário de Melhor Filme Estrangeiro. “Antes de pensar em salvar a alma deles, deve-se dar aos miseráveis uma vida pela qual fiquem sabendo que estão vivos”. 6,9

Confira também as listas anteriores de dez (10) filmes: 55, 54, 53, 52, 51… Não constam destas listas aqueles filmes sobre os quais já tenhamos publicado algum post. No canal Youtube talvez você encontre vídeos para alguns destes filmes, com cenas selecionadas e trailers. Consulte as Listas de Reprodução.

Written by Paulo Amadeu

19/12/2011 at 14:15

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George Stevens (1904-1975)

George Stevens (1904-1975)

George Stevens (1904-1975) foi um diretor, produtor e roteirista de cinema norte-americano. Filho de atores, desde jovem percorreu várias funções, inclusive técnicas, no contexto do cinema e do teatro. Em sua longa e premiada carreira, foi desde ator do cinema mudo até tornar-se um reconhecido cineasta. Olhar fotográfico.

George Stevens (1904-1975)

Written by Paulo Amadeu

17/12/2011 at 8:11